Criticam o partido por falta de democracia interna e por "centralização". E pedem uma maior abertura a outras vertentes.
Na Convenção Nacional do Bloco de Esquerda à qual se apresentam quatro moções da oposição interna, multiplicaram-se as críticas à atual direção e ao rumo seguido pelo partido que passa um dos momentos mais negros da sua história, sendo representado por apenas uma deputada na Assembleia da República. Como tem sido comum nas últimas convenções, a oposição queixa-se de falta de democracia interna e de excesso de centralização. Agora surgem também críticas sobre a falta de ligação aos problemas reais e a oposição teme que Manuel Pureza faça uma continuação do trabalho de Mariana Mortágua e não seja uma alternativa que ajude o Bloco a crescer.
Na apresentação de moções durante a 14.ª Convenção Nacional do BE, que decorre no pavilhão municipal do Casal Vistoso, em Lisboa, Nuno Pinheiro, da moção S, lamentou o atual “inverno do descontentamento”, seja no mundo, no país e no partido, considerando que “é preciso transformá-lo em verão”.
"O Bloco está a declinar porque há um crescimento da direita e extrema-direita, mas também porque se desliga da sociedade e dos seus anseios e necessidades”, defendeu Nuno Pinheiro, que encabeça a moção S, a oposição mais forte, mas muito longe da moção da "continuação", liderada por José Manuel Pureza que elegeu 498 delegados (a moção S tem 55). Nuno Pinheiro considerou o atual número de militantes "assustadoramente baixo" e lamentou o "resultado desastroso" das autárquicas. “O que estamos a discutir hoje é o que somos, o que queremos ser. Todas as moções dizem que temos que mudar, o Bloco tem de mudar, isso é unânime. Mas será que os que trouxeram o Bloco até aqui, que cometeram todos os erros que agora temos que corrigir, são capazes de fazer essa mudança?”, questionou.
Mas como a moção S ficou longe de ganhar, Pinheiro apelou a Pureza que acabe com a centralização no partido e que garanta a existência de "base democrática" interna
Já a moção H, que elegeu 19 delegados, considera que o Bloco deve voltar a ser um partido combativo e à esquerda, em vez de continuar a seguir o "caminho de moderação" com que tentou "conquistar a base eleitoral do PS". Samuel Cardoso diz que o BE se deve assumir como "anticapitalista e antissistema" acima de tudo.
Em representação da moção B, Bruno Candeias alertou que “esta não pode ser mais uma convenção”. O bloquista criticou a moção afeta à direção por “largar novidades na imprensa”, como a composição das listas aos órgãos nacionais, mas não só. Bruno Candeias criticou “um partido centralizado, que esmagou minorias, com uma organização muitas vezes opaca, blindada à democracia e à participação”.
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Depois do sobressalto inicial, discute-se quem está e quem não está à mesa das negociações e diz-se que sem europeus e ucranianos não se pode decidir nada sobre a Europa ou sobre a Ucrânia.