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O que defendem os partidos para a crise da habitação?

Com as manifestações pelo direito à habitação a espalharem-se por todo o País, são várias as propostas de cada partido político para resolver esta crise.

A crise da habitação tem estado na ordem do dia, depois de se espalharem pelo País manifestações por este direito. A contestação surge no seguimento de uma , viabilizada na generalidade e ainda à espera de ser discutida na especialidade. Conheça aqui algumas das principais propostas defendidas pelos partidos.

Crise da habitação tem motivado manifestações em vários pontos do país
Crise da habitação tem motivado manifestações em vários pontos do país Viola Lopes/AP

Proposta do Governo

Em setembro, o Governo levou à Assembleia da República um , com o objetivo de alterar o Novo Regime de Arrendamento Urbano (NRAU). As propostas foram viabilizadas, com votos a favor do PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal; o Chega absteve-se. Eis o que foi aprovado:

  • Prazos mais curtos para despejos.
  • Fim do limite máximo de cauções.
  • Possibilidade de atualização da renda após a morte do arrendatário.
  • Atualização dos contratos anteriores a 1990.
  • Senhorios podem opor-se à renovação automática do contrato logo a partir da primeira vez que seja efetuada.
  • Extensão do tempo que o inquilino tenha de viver na casa antes de poder usufruir do direito de preferência de compra do imóvel, de dois para três anos.
  • Criação de um Fundo de Emergência para a Habitação para famílias em situações vulneráveis, tais como dificuldades económicas ou vítimas de violência doméstica.

Chega

Apesar de ter viabilizado a , o Chega não só com a votação favorável do pacote na especialidade como também . São elas:

  • Reavaliação dos benefícios fiscais de quem está em Portugal e tem grande capacidade financeira de adquirir imóveis.
  • Revisão do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI).
  • Aumento de 50% das deduções em IRS relativas a rendas e prestações do crédito à habitação.
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A 13 de março deste ano, deu entrada na Assembleia da República um que propunha:

  • Revogar a possibilidade de cobrança de comissão de reembolso antecipado nos contratos de crédito à habitação com taxa de juro variável.

No , o que defendia era:

  • Simplificar e acelerar o processo de despejo por incumprimento de contrato, de forma a evitar que os proprietários esperem vários anos para poderem recuperar os seus imóveis.
  • Tolerância zero para com ocupações ilegais, recorrendo às autoridades para intervirem e removerem os ocupantes.
  • Incentivar o investimento no setor imobiliário.
  • Permitir a atualização das rendas com base na inflação.
  • Reduzir a carga fiscal sobre a aquisição e posse de habitação própria a famílias numerosas, atribuindo benefícios fiscais.

Partido Socialista (PS)

Em 2025, o PS propunha que o Estado desse mais meios financeiros, técnicos e humanos para as autarquias executarem as políticas locais. Recomendava ainda: 

  • A criação de uma rede pública nacional de alojamento urgente e temporário. 
  • Reforço das verbas do 1.º Direito, do Porta 65, do Arrendamento Acessível e da habitação a custos controlados. 
  • Um Programa Nacional de Habitação a Custos Acessíveis, assente no património público, para as famílias de rendimentos intermédios. 
  • Um programa nacional de alojamento estudantil a custos acessíveis. 
  • Um cluster industrial da construção, para construir mais depressa e mais barato. 
  • A reforma do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e do modelo de decisão, com menos entidades, menos burocracia e mais descentralização. 

A 19 de outubro, o PS apresentou um novo pacote de propostas, que incide sobretudo sobre as casas vazias: 

  • Isenção de mais-valias na venda de casas já existentes, até 300 mil euros, para habitação própria, e tributação reduzida entre 300 e 500 mil euros. 
  • Isenção de imposto do selo nestas compras e no respetivo crédito à habitação. 
  • Um contrato de arrendamento de cinco anos, por opção das partes, com as rendas tributadas a uma taxa de 5% e com garantia pública para o senhorio em caso de falta de pagamento. 
  • Pôr a funcionar o Balcão do Arrendatário e do Senhorio, "que hoje não cumpre a sua função". 

Iniciativa Liberal (IL)

A duas grandes áreas de atuação: desbloquear heranças e "pôr o arrendamento a funcionar":

  • Permitir que a maioria dos herdeiros possa decidir sobre a venda ou arrendamento do imóvel, salvaguardando os direitos da minoria, incluindo o direito a receber o justo valor da sua parte.
  • Aumentar a liberdade dos proprietários para decidirem em vida como pretendem distribuir o seu património após a morte.
  • Eliminar a penalização fiscal nas doações de imóveis a familiares diretos.
  • Criar uma isenção fiscal temporária (por três anos) para que os herdeiros possam reorganizar entre si a propriedade dos imóveis após a partilha da herança.
  • Abrir dois tipos de arrendamento: habitação própria permanente e habitação temporária (para estudantes, profesores, profissionais deslocados, entre outros).
  • Criar consequências para o incumprimento, permitindo que o senhorio se oponha à renovação do contrato em caso de falta de pagamento da renda ou quando o imóvel não for utilizado como habitação própria.
  • Fazer com que a renovação automática do contrato tenha, por defeito, a mesma duração do prazo inicial, em vez dos atuais três anos.
  • Permitir que o proprietário se oponha à renovação do contrato quando necessite da habitação para si ou para familiares ascendentes ou descendentes diretos.
  • Limitar a caução a três rendas e proibir a cobrança de rendas antecipadas.

Livre

O programa do Livre prevê: 

  • Criar o Serviço Nacional de Habitação (SNH) para garantir o direito universal à habitação e à cidade através do reforço do investimento em habitação pública, cooperativa e a custo acessível, assim como desenvolver funções regulatórias do mercado de arrendamento. 
  • Alcançar 10% de habitação pública até 2040. Para tal, pretende constituir o Fundo para as Políticas para a Habitação Pública, para financiar de forma contínua e consistente o aumento do parque público de habitação, a sua reabilitação e os programas conducentes às políticas públicas de habitação. 
  • Aumentar o número de vagas em residências universitárias e o apoio social ao alojamento de estudantes do ensino superior deslocados, através da criação de residências universitárias em património subutilizado do Estado e da verba da Ação Social do Ensino Superior. 
  • Efetivar o Fundo de Emergência para a Habitação, garantindo um apoio eficaz a pessoas que fiquem sem a sua habitação ou em situação de sem-abrigo; e financiando as soluções previstas no Programa 1º Direito e apoios sociais. 
  • Combater a especulação imobiliária através, por exemplo, da limitação de licenças de Alojamento Local (AL) em áreas com forte pressão turística. 
  • Reformular o cálculo do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para reduzir a carga fiscal sobre habitação permanente e agravar a dos imóveis devolutos que não cumprem a função social da habitação. 
  • Compatibilizar os rendimentos médios e baixos com o valor do arrendamento e estabelecer limites máximos no valor de renda, durante pelo menos cinco anos, nos imóveis habitacionais de proprietários que recebem financiamento de programas promovidos pelo Estado para a realização de obras em imóveis que não servem para habitação própria. 
  • Rever o Programa Porta 65, aumentando o período mínimo de apoio para 36 meses e o período máximo para 84 meses, eliminando a necessidade de candidaturas anuais e promovendo a estabilidade e capacidade de planeamento; e ainda possibilitando o acesso, na primeira candidatura, a um apoio para o pagamento da caução. 
  • Assegurar, através do Fundo para as Políticas para a Habitação Pública, a ajuda à compra da primeira casa, através do Programa Ajuda de Casa, um programa que financiará até 30% do valor de mercado do imóvel, sob a forma de um empréstimo de capital próprio. 

Partido Comunista Português (PCP)

A 12 de outubro, o PCP apresentou dois projetos de lei e quatro de resolução (recomendações ao Governo, sem força de lei): 

  • Em linha com o previsto na Lei de Bases da Habitação, o PCP quer reafirmar a Carta Municipal de Habitação para que as estratégias de desenvolvimento habitacional dos municípios sejam coordenadas com os instrumentos fiscais, económicos e financeiros previstos na legislação sobre solos. O objetivo é garantir que o planeamento do território e as políticas de habitação funcionem de forma integrada, contribuindo para uma utilização mais eficiente do solo e para uma melhor resposta às necessidades habitacionais da população. 
  • Alterar a Lei de Bases Gerais da Política Pública de Solos, do Ordenamento do Território e do Urbanismo para reforçar a proteção do solo como um recurso público e limitado, garantindo a sua sustentabilidade para as gerações atuais e futuras. A iniciativa procura travar a transformação desordenada de solos rústicos em urbanos, combater a especulação imobiliária, proteger áreas agrícolas, florestais e de valor ecológico, e assegurar que os custos associados à valorização do solo sejam suportados por quem beneficia dessas alterações e não pelo Estado. 
  • Reforçar a promoção pública de habitação através do fortalecimento das entidades públicas responsáveis pelo setor, da mobilização do património imobiliário do Estado para fins habitacionais e da dinamização da construção e reabilitação urbana públicas, aumentando a oferta de habitação acessível. 
  • Criar condições para que cooperativas possam desenvolver projetos de habitação a custos acessíveis. A proposta assenta na disponibilização de apoio público, financiamento e acesso a terrenos ou imóveis, permitindo aumentar a oferta habitacional e garantir soluções mais estáveis e acessíveis para as famílias. 
  • Elaborar um novo Código da Construção que consolide e atualize a legislação técnica da edificação, substituindo normas desatualizadas, promovendo a qualidade, segurança e sustentabilidade da construção e assegurando uma coordenação pública eficaz na definição dessas regras.

Bloco de Esquerda (BE)

Os tetos às rendas são uma das grandes bandeiras do BE. :

  • Criar tetos máximos para as rendas, tendo em consideração variáveis como: área do imóvel, qualidade do alojamento, certificação energética, localização e tipologia. 
  • Redução dos juros: “A Caixa Geral de Depósitos (CGD) é um banco de capital inteiramente público que apresenta, neste momento, dos melhores rácios de capital entre os bancos da Europa. Apesar disso, a CGD tem beneficiado do aumento dos juros, adotando políticas de mercado que em nada se distinguem dos seus concorrentes. Como resultado, os seus lucros aumentar 40% só nos primeiros nove meses de 2023, para 987 milhões de euros. O banco público deve utilizar a sua posição dominante no mercado do crédito à habitação para aplicar uma política de juros baixos, que leve a uma redução generalizada do custo dos empréstimos à habitação própria e permanente”, defende o partido. 
  • Construção pública de novos alojamentos destinados ao arrendamento a custos acessíveis, integrados na malha urbana e evitando a reprodução de guetos. 
  • Mobilização imediata de edifícios públicos devolutos ou sem utilização para habitação a custos acessíveis; 
  • Reforço do IHRU e criação de um Serviço Nacional de Habitação. 
  • Proibição da venda de casas a não residentes, salvaguardando o direito de aquisição de imóveis a portugueses residentes no estrangeiro, bem como a estrangeiros residentes em Portugal e transações de imóveis em territórios de baixa densidade. 
  • Imposição, em cada freguesia, de um máximo de 5% de fogos dedicados ao Alojamento Local.
  • Alargamento da Isenção de IMI de 3 para 8 anos para os imóveis que se destinem à habitação própria e permanente, aplicável a prédios urbanos cujo valor patrimonial tributário (VPT) não exceda os 125 mil euros, e cujo rendimento bruto total do agregado familiar, no ano anterior, não seja superior a 153.300 euros. 
  • Redução em 50% das taxas de IMT na compra de habitação própria e permanente, compensada por um aumento equivalente nas taxas aplicáveis a habitações secundárias. 

Pessoas, Animais, Natureza (PAN)

Em setembro, levou à Assembleia da República um , que acabara por ser rejeitado. Neste incluía:

  • Um valor máximo de caução de acordo com a realidade económica e a taxa de esforço do inquilino.
  • A reconversão do alojamento local em casas de arrendamento de longa duração, reduzindo a pressão turística sobre cidades mais afetadas e colocando mais habitações no mercado do arrendamento imobiliário.

No para as Eleições Legislativas de 2025, apresentava:

  • O alargamento da isenção de IMI e IMT para jovens à compra de primeira casa por sujeitos passivos com idade compreendida entre os 35 anos e os 45 anos.
  • A revisão do programa Porta 65, de forma a apoiar também as despesas iniciais de arrendamento, tais como cauções e a primeira renda, através de um fortalecimento da dotação orçamental.
  • O incentivo a modelos de co-housing (partilha de casa) cooperativo, com projetos piloto em cidades com maior pressão imobiliária, como Lisboa e Porto.

Juntos Pelo Povo (JPP)

A 18 de setembro, o JPP apresentou um projeto de resolução, em que defende: 

  • Reforço da prevenção e o acompanhamento das situações de vulnerabilidade no arrendamento habitacional, permitindo o acesso ao apoio antes da instauração de um procedimento de despejo, com um serviço de referência por agregado, prazos máximos de atendimento, decisão e execução adequados à urgência, resposta imediata nas situações de perda iminente de alojamento e encaminhamento para proteção jurídica; 
  • Reforço dos apoios sociais temporários à renda e à regularização de atrasos necessários à preservação de arrendamentos viáveis, com natureza não reembolsável na medida da carência comprovada, atendendo à situação económica atual do agregado e estabelecendo critérios transparentes, limites e mecanismos de controlo. 
  • Reforço da capacidade de disponibilização, em tempo útil, de alojamento temporário adequado aos agregados vulneráveis sem alternativa habitacional, quando não seja possível manter o arrendamento. 
  • Garantia dos recursos humanos e financeiros necessários à execução destas respostas, em cooperação com os municípios e os órgãos de governo próprio das Regiões Autónomas. 
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