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Protestos espalham-se pela Europa. De Lisboa a Tirana, o que pedem os manifestantes?

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Habitação e aumento do custo de vida são as principais preocupações dos manifestantes.

As últimas semanas foram marcadas por protestos contra o aumento do custo de vida na Europa, com milhares de manifestantes a saírem à rua em Espanha, França, Albânia e Itália. Esta semana os propostos chegaram também a Portugal e para este fim de semana estão marcados protestos em Lisboa, Porto, Coimbra e Algarve. 

Manifestação pela habitação no Porto
Manifestação pela habitação no Porto RITA FRANÇA/LUSA

Portugal

Protestos pelo direito à habitação e contra o "brutal aumento" dos preços das casas, dos combustíveis e do cabaz alimentar decorrem este sábado em várias cidades do país.  

As manifestações convocadas pela central sindical da CGTP já começaram, às 10h30, no Porto e em Coimbra e às 14h30 em Lisboa.  

Ainda no Porto a ocupação da Praça D. João I vai continuar. Apesar de na madrugada de quinta-feira uma forte ter levado grande parte dos manifestantes a abandonarem o local e ferido 39 pessoas – dois dos quais encontram-se em estado grave -, as noites que se seguiram contaram com uma praça ainda mais cheia, com cerca de três mil pessoas a juntarem-se aos cerca de .  

Este movimento apresenta seis reivindicações principais: revogação da lei das rendas, definição de tetos máximos aos valores de arrendamento, fim dos despejos e da compra de imóveis por fundos abutres, mais habitação pública e a recuperação de imóveis devolutos para habitação.   

Lisboa vai juntar-se ao movimento da acampada hoje pelas 17h00, na Praça do Rossio, com o movimento Acampada de Lisboa pela Habitação a "exigir o direito à habitação para todas as pessoas": "Queremos casas para viver, tempo para existir e cidades que pertençam a quem nelas vive".  

França

Coletivos de estudantes, estruturas sindicais e antigos líderes do movimento dos "coletes amarelos" têm marcado manifestações em França contra o aumento do preço dos combustíveis, a crise da habitação e o aumento do custo de vida.  

Os protestos começaram a meados de setembro em escolas de Paris e rapidamente se alastraram por todo o país. Apesar de ter começado com um movimento de estudantes que reivindicava mais recursos para as suas escolas expandiu-se pelo descontentamento quanto ao orçamento do Estado para 2027 que é criticado por incluir medidas de austeridade devido à elevada dívida do país - 119% do PIB.  

Apenas durante o dia de hoje, e até às 11h00 locais (10h00 em Lisboa), foram efetuadas 61 detenções e 589 controlos preventivos, segunda as autoridades francesas. No início do mês um estudante de 16 anos perdeu a visão durante um bloqueio de uma escola secundária em Tours depois de ser atingindo por um projétil, outro adolescente de 14 anos foi atingido por uma granada em Val-d'Oise e sofreu uma dupla fratura no maxilar e um jovem de 15 anos teve a mão amputada por uma explosão durante um confronto em Lens.  

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Espanha

Há um mês que mais de cinco mil pessoas acampam no Praça Puerta del Sol, no centro de Madrid. Tudo começou depois de , uma senhora de 87 anos, ter sido expulsa da casa onde viveu toda a sua vida por não conseguir suportar um aumento de 275% na sua renda, a indignação levou os espanhóis à rua contra as políticas de habitação, que permitiram o aumento médio de 84% das rendas na última década.  

Maricarmen acabou por morrer, mas os protestos continuaram e espalharam-se por outras cidades.  

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Sanchez ainda levou ao parlamento dois decretos para a habitação que respondiam a reivindicações da associação Sindicato das Inquilinas e Inquilinos para restabelecer em Espanha os contratos de arrendamento indefinidos ou com renovação automática sempre que os inquilinos estejam a cumprir com as suas obrigações, além de medidas para limitar os despejos até 2030. Ambos foram chumbados e o primeiro-ministro espanhol acabou por anunciar .  

Os manifestantes mantiveram os protestos e no dia seguinte ao anúncio das eleições, 5 de outubro, cerca de 950 mil pessoas manifestaram-se por todo o país. Os protestos mantêm-se até hoje.  

Albânia

Protestos na Albânia intensificaram-se nos últimos dias, com milhares de pessoas a saírem à rua em Tirana e outras cidades do país. As manifestações iniciadas pelos alunos universitários contra o governo contam agora também com a participação dos alunos do secundário e outros grupos da sociedade civil que denunciam os custos elevados do ensino superior, as más condições das universidades, a falta de apoios financeiros e oportunidades de emprego.  

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Os protestos surgem num momento de crescente descontentamento com o Governo de Edi Rama, depois de em maio ter começado a contestação contra projetos turísticos de luxo com ligações a Donald Trump na costa albanesa, que ficou conhecida como Revolução Flamingo.  

Na sexta-feira foi noticiado que pelo menos 71 polícias e mais de duas dezenas de estudantes ficaram feridos durante confrontos nas manifestações de Tirana. Cerca de 70 manifestantes também foram detidos pelas forças policiais. 

Edi Rama encontra-se no quatro mandato enquanto primeiro-ministro do país e já respondeu às críticas sugerindo que os protestos são resultado de interferência estrangeira e não da discontentação dos jovens.  

Itália

Em Itália estudantes manifestaram-se na sexta-feira em várias cidades Italianas exigindo mais verbas para a educação e menos para o armamento. Em Cagliari o protesto foi mesmo denominado como "dia do não a Meloni". 

"Dinheiro para as escolas, não para a guerra" e "Menos armas, mais direitos" foram algumas das palavras de ordem repetidas pelos alunos do ensino secundário que saíram à rua. Aos meios de comunicação locais, alguns alunos admitiram terem sido inspirados pelos protestos em França.  

Algumas das manifestações originaram confrontos com os alunos a atirarem pedras, petardos e bombas artesanais à polícia, mas também destruíram contentores do lixo para barrar a estrada e incendiaram outros. Em Turin um grupo de professores fez uma barreira entre a polícia e os manifestantes para proteger os alunos e em Milão uma escola secundária foi vandalizada.  

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