O final da assembleia foi marcado pela realização de um minuto de silêncio em conchinha pelo direito à habotaçlão, um gesto simbólico que será repetido no final de todas as assembleias populares.
A Acampada em Lisboa pela habitação desloca-se na sexta-feira para Marvila para participar numa vigília contra o despejo de uma jovem mãe, viúva, de uma casa municipal, aprovaram hoje os manifestantes reunidos em assembleia popular no Rossio.
AcampadaANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA
A proposta foi colocada a votação e ganhou com a maioria dos votos na sexta assembleia da Acampada de Lisboa, que terminou pouco depois das 21h30.
A jovem viúva que foi despejada tem dois filhos menores, com 4 e 2 anos, vivia numa habitação municipal no Bairro do Condado, em Marvila, pagava as rendas e procurou regularizar o contrato de arrendamento, na sequência da morte dos dois titulares, o companheiro e pai das crianças e a avó deste, que morreram em 2024.
Antes, os participantes na assembleia popular tinham decidido não ficar hoje a pernoitar na praça do Rossio, após cinco noites de permanência no local.
O final da assembleia foi marcado pela realização de um minuto de silêncio em conchinha pelo direito à habotaçlão, um gesto simbólico que será repetido no final de todas as assembleias populares.
Pelas 21h40 algumas pessoas começaram a desmobilizar, mas a maioria permanece ainda protesto, prevendo-se que dure até à meia-noite e meia, hora a partir da qual a PSP indicou que não podem fazer barulho.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.
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