O 25 de Abril em que o desfile pela Liberdade se dividiu em dois

O 25 de Abril em que o desfile pela Liberdade se dividiu em dois
Diogo Barreto 25 de abril

Ao desfile tradicional com milhares de pessoas juntou-se um desfile "apartidário e aberto a todos", mas apenas composto por elementos da Iniciativa Liberal. Foi assim que o povo voltou a sair à rua no segundo ano da pandemia.

Um ano depois do desfile do 25 de Abril mais solitário dos últimos 47 anos, Carlos Ferreira, de 80 anos voltou a desfraldar a bandeira portuguesa e descer a Avenida da Liberdade em Lisboa, com o blazer branco e as luvas da mesma cor que o ano passado fizeram história. Desceu auxiliado por duas jovens que lhe ampararam a idade e atrás de si seguiram milhares de pessoas divididas em dois grupos: o do desfile "tradicional" e o da Iniciativa Liberal, naquela que terá sido a celebração da data mais sectária dos últimos anos, mas que mesmo assim decorreu com toda a civilidade e o total respeito pela máscara (apesar de ter havido algum desleixo no distanciamento físico). 

Cerca de 300 pessoas, muitas delas com camisolas azuis, percorreram o caminho entre o Saldanha e a Avenida da Liberdade este 25 de Abril. A encabeçar a manifestação seguia Tiago Mayan Gonçalves, candidato liberal à Presidência da República ainda este ano, e João Cotrim Figueiredo, o deputado da Iniciativa Liberal. Festejavam o 25 de Abril, mas longe dos milhares que desfilavam vários metros à frente. Decidiram tomar uma posição e declarar que "a rua não é de todos". Os "de sempre" fizeram a festa dando pouca atenção a quem seguia no seu encalço, mas os liberais esforçaram-se por se fazer ouvir.

Há muitos meses que não havia tantas pessoas a passarem pela Avenida da Liberdade. O povo voltou a sair à rua num dia de sol, para cantar a Primavera, entoar gritos de ordem e celebrar a liberdade. Mas ao contrário dos últimos 46 anos de celebrações, houve dois desfiles distintos. Primeiro vieram os grupos semi-organizados que todos os anos festejam esta data descendo a Avenida que liga o Marquês de Pombal ao Rossio. Levavam cartazes reivindicando o fim do fascismo, a educação e a saúde gratuitos para todos. Livre, Bloco de Esquerda, PCP, PS e outros partidos e movimentos encheram a avenida da capital em passo lento. Pelo caminho e a encher os passeios laterais, ficavam cidadãos sem filiações partidárias, mas que se quiseram juntar à festa da democracia que, como a cantou Chico Buarque, "é bonita, pá".

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