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Maria Lencastre Portugal foi eleita vereadora pelo Chega e agora nomeada, pelo executivo de Ana Abrunhosa, gestora-executiva da Prodeso. Militantes do PS Coimbra falam de “mercantilização dos votos para garantir a maioria”.
A nomeação da ex-vereadora do Chega Maria Lencastre Portugal como gestora do Instituto Técnico Artístico e Profissional de Coimbra (ITAP) está a criar mau estar entre militantes do Partido Socialista em Coimbra.
Câmara Municipal de CoimbraDR
Maria Lencastre Portugal desfiliou-se do Chega no final de janeiro e passou a ser vereadora independente. Agora foi nomeada pelo executivo camarário como gestora-executiva da Prodeso, empresa municipal que detém o ITAP. A SÁBADO falou com várias fontes ligadas ao PS Coimbra que partilharam a sua discordância face à nomeação e a divisão interna, mesmo que Maria Lencastre Portugal já não esteja ligada ao partido de André Ventura.
Um dos militantes considera que “o facto de alguém deixar de ser do Chega não faz com que deixe de ser quem é e esta pessoa é de extrema-direita". “A sua cara estava nos cartazes ao lado do André Ventura, mesmo que agora seja independente não deixa de ter sido eleita por quem apoia estes ideais", referiu outra fonte.
“Maria Lencastre Portugal acaba por sair do Chega, não por discordar da conjuntura política do partido, mas sim por não concordar com estatuto do direito de oposição aprovado pelo órgão de acompanhamento autárquico do Chega”, ainda assim reconhece que “desde a primeira hora que [a então vereadora do Chega] votou sempre ao lado de Ana Abrunhosa”.
A Câmara de Coimbra é atualmente governada pela coligação Avançar Coimbra - PS, Livre, PAN, Cidadãos por Coimbra -, que conseguiu cinco dos onze vereadores pelo qual o executivo camarário é composto, ou seja, Ana Abrunhosa precisava apenas de mais um vereador para alcançar a maioria.
A principal preocupação dentro do PS Coimbra prende-se com a criação de “um enormíssimo telhado de vidro” para o PS, que deixa de ser capaz de se “afastar do Chega" e "criticar os outros partidos quando o fazem, como aconteceu em Cascais”. Vale a pena recordar que depois de o PSD ter feito um acordo com o Chega para governar em Cascais, o PS rejeitou integrar o executivo municipal e devolveu os pelouros que lhe tinham sido atribuídos.
Um terceiro militante que não é do concelho, mas conhece a realidade de perto, também critica a escolha considerando que “cada vez mais os partidos enfrentam minorias e têm de saber governar fazendo pontes”: “É neste momento que se vê a astúcia das pessoas e Ana Abrunhosa tinha uma boa oportunidade para trabalhar com esta vereadora, agora independente, mas nunca lhe dando uma nomeação”.
“Não sei como é que José Luís Carneiro vai descalçar esta bota”, partilha um dos ouvidos. A realidade é que o secretário-geral do PS afirmou, ainda antes das eleições autárquicas e precisamente em Coimbra, que os portugueses podem confiar nos candidatos do partido porque “nunca se colocarão do lado daqueles que querem atacar a democracia e o estado de direito democrático”, “mesmo que não consigam alcançar as maiorias que desejavam”.
As dúvidas sobre os motivos por detrás desta nomeação surgem também porque Maria Lencastre Portugal “é assistente social, não tem experiência nenhuma em educação”, refere um dos militantes do PS que acusa o executivo camarário de “mercantilização dos votos para garantir a maioria” e uma fonte que estava ligada com a antiga presidência do conselho referiu que “na legislatura passada o PS tinha apenas quatro vereadores e isto era impossível de acontecer”: “Chocou-me o negócio para se conseguir a maioria. Fica mal a quem dá e a quem recebe”.
Clara Cruz Santos, membro do Livre que está de saída dos órgãos do Livre Coimbra, reforça que “se trata de alguém que não tem as competências técnicas necessárias e que já o admitiu”.
Clara Cruz Santo admite que “deve haver alguma justificação que ainda não sabemos” para a evita acusar a coligação de procurar um aproveitamento político: “Não posso acreditar que não exista um motivo estratégico, mas também não acredito que seja uma questão de comprar o apoio”. A número seis da lista da coligação Avançar Coimbra partilha ainda que teme a “desqualificação do ensino profissional”.
Na segunda-feira Miguel Antunes, vice-presidente da autarquia, disse à Lusa que Maria Lencastre Portugal é alguém “muito alinhada” com o atual executivo, quer “em termos políticos, quer em termos de ideais e de opções”. "A vereadora nunca foi nada menos do que correta e clara comigo e, até durante a campanha, estava alinhada com a candidatura de Ana Abrunhosa [presidente de Câmara eleita em outubro]", referiu ainda.
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