Até segunda-feira, apenas 50% dos pedidos de revisão estavam corrigidos. Já as provas da 2.ª fase estavam concluídas a 97%, segundo o ministro da Educação. Para o secretário-geral da Fenprof, "o que está em causa é a credibilidade do processo".
Os professores têm até ao fim desta terça-feira para concluir a correção dos pedidos de reapreciação de prova (ainda referentes à 1.ª fase dos exames nacionais), bem como dos exames da 2.ª fase. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, avançou segunda-feira, no Parlamento, que apenas 50% dos pedidos estavam “prontos”, enquanto a correção da 2.ª fase estava 97% concluída. Garantiu, ainda assim, que todos os prazos serão cumpridos. O secretário-geral da Fenprof, José Feliciano Costa, avançou à SÁBADO que os problemas verificados na 1.ª fase “continuam a acontecer, ainda que em menor dimensão devido ao menor volume de provas”. Por isso, “os 97% não dão tranquilidade”. A afixação destes resultados está prevista para sexta-feira.
Fernando Alexandre assegura cumprimento dos prazos TIAGO PETINGA/LUSA
“Na 1.ª fase, o ministro também falava na ordem dos 90%”, começa por lembrar o dirigente. “O problema não está na percentagem, mas na seriedade e credibilidade do processo”, aponta. José Feliciano Costa reporta que “ainda hoje houve professores a ser convocados à última da hora para completar as reapreciações. Tudo isto enquanto a plataforma estava em baixo”.
As desconformidades encontradas durante a correção da 1.ª fase dos exames repetem-se, segundo o secretário-geral da Fenprof. “Se esta 2.ª fase tivesse a mesma dimensão que a 1.ª, os problemas seriam todos iguais”, afirma. “A plataforma falha muitas vezes e continua a haver folhas em branco.”
Este ano registaram-se cerca de 20 mil pedidos de reapreciação - um número bastante superior aos 6200 de 2025 -, dos quais metade está corrigida. As notas que saírem dessa revisão têm de ser conhecidas na sexta-feira para que os alunos possam usar essa classificação na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAE).
As reapreciações seguem um procedimento diferente, uma vez que o docente tem de rever e reavaliar toda a prova, e não apenas uma parte dos itens como acontece na correção inicial. Naturalmente, é um processo “mais moroso”, mas José Feliciano Costa refere que “está a ser feita uma pressão inaceitável” sobre os classificadores.
O período de férias dos professores já começou, mas estes estão a ser “pressionados” para o interromper através de “contactos informais”. “Alterar as férias implica uma convocatória vinda de cima, nomeadamente do Ministério da Educação, com a sustentação do motivo que leva ao adiamento e só pode acontecer com um motivo muito bem sustentado. O ministério está a empurrar isso para as escolas, que estão a enviar e-mails aos professores a pedir para alterar as férias ou, em alguns casos, com insinuações para levar o computador nas férias e corrigir exames enquanto as goza”, frisa.
As incongruências motivaram uma queixa da Fenprof à Inspeção-Geral da Educação e Ciências (IGEC). “O necessário gozo de férias constitui um direito fundamental dos trabalhadores, protegido pela lei, não podendo ser restringido ou alterado sem o cumprimento dos pressupostos legalmente previstos”, lê-se na nota.
Quanto à afixação das notas na sexta-feira, “provavelmente” o prazo será cumprido, diz o dirigente, mas será “à custa das férias dos professores e de um processo anormal. Continua em causa a credibilidade e o rigor. Quem pode confiar nas notas?”
O início do ano letivo foi adiado no ensino secundário, mas José Feliciano Costa alerta que “alguns professores do secundário também dão aulas ao 3.º ciclo. Esses, aparentemente, estarão dispensados de ser classificadores, mas falta ver o que vai acontecer na época especial porque ainda não há informação sobre isso”.
A época especial de exames, calendarizada para 3 a 8 de setembro, é mais um motivo de confusão, explica o dirigente: “As escolas já vão estar a preparar o início do ano letivo, por isso, será preciso uma redistribuição de horários. Não se sabe como vai decorrer.”
A mais de um mês de distância, já se afigura um arranque letivo difícil: “Aos problemas habituais, juntam-se estes. Faltam professores, recursos materiais e humanos.” O dirigente reconhece que “o novo método de digitalização é mais cómodo para os professores, mas devia ter sido implementado com calma e planos de contingência”.
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