O município está também a criarestruturas de apoio comunitário nas freguesias.
A Câmara de Leiria lançou esta segunda-feira a plataforma Estragos.pt para os munícipes reportarem os danos originados pela depressão Kristin, anunciou o presidente, Gonçalo Lopes.
Danos numa creche em Amor, LeiriaCM/ Pedro Brutt Pacheco
"O canal 'Estragos' é uma iniciativa da Câmara com o apoio da Tekever [fabricante de drones], onde queremos que todas as pessoas, instituições, possam registar os seus estragos", afirmou aos jornalistas Gonçalo Lopes, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde o município instalou o seu centro de operações.
O autarca apelou para que "todas as pessoas, quando tiverem condições e sem correr riscos", fotografem os seus estragos, "em especial no seu património habitacional, nos edifícios", e que enviem para essa plataforma.
De acordo com o autarca, aquela empresa já fez "voos de reconhecimento em muitos espaços" de parte da cidade, mas vai continuar "esse trabalho, para que seja útil", não só para o trabalho do município, mas, sobretudo, para as pessoas afetadas, nos pedidos de auxílio que vão ser necessários no âmbito da reconstrução.
Entretanto, a Câmara criou o endereço eletrónico reerguerleiria@cm-leiria.pt para pessoas e empresas que queiram entregar bens poderem obter informação.
"Estamos a viver momentos em que o povo português está a ser extremamente solidário, ao qual estamos muito agradecidos, temos muitos pedidos, mas também temos, felizmente, muitas pessoas e empresas a quererem ajudar", declarou.
Gonçalo Lopes adiantou que o concelho, com 130 mil habitantes, tem atualmente "45 mil edifícios sem eletricidade", reconhecendo que o "ritmo está a ser lento" para o restabelecimento.
A situação obriga a "um pedido de entreajuda suplementar", pelo que a autarquia está a reforçar a "campanha de angariação de geradores", para colocação no "maior número de espaços vitais, nomeadamente as escolas", a prioridade em termos de recuperação do património público, frisou.
As escolas D. Dinis, na sede do concelho, Maceira e Colmeias "são as três que ficaram em pior estado, as outras todas também estão mal, mas essas três estarão no topo", esclareceu o presidente da Câmara.
Entretanto, o município está a ativar estruturas de apoio comunitário nas freguesias.
"Estas estruturas, distribuídas estrategicamente pelo território, disponibilizam apoio à comunidade, estando algumas delas equipadas com geradores ou em processo de ligação, permitindo assegurar, sempre que possível, condições básicas como banhos, carregamento de telemóveis e a recolha de bens alimentares essenciais", segundo uma nota de imprensa.
A iniciativa pretende reforçar a capacidade de resposta local, em articulação com as juntas de freguesia, os agentes de Proteção Civil e outras entidades, "garantindo o acesso a serviços essenciais".
O município pede a colaboração dos munícipes, "quer através da utilização responsável destes espaços, quer mediante a doação de bens alimentares, que serão encaminhados para apoiar quem mais necessita".
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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