Sábado – Pense por si

Escolha a Sábado como "Fonte Preferida"

Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.

Adicionar fonte

Livre insiste na devolução do IVA de bens essenciais mas PM promete "outra via"

Líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, considerou que o Governo "podia ter ido mais longe" no combate ao aumento dos preços.

O Livre insistiu esta quarta-feira na devolução do IVA de bens essenciais para combater o aumento do custo de vida, alertando que as pessoas "estão a sofrer", mas o primeiro-ministro respondeu que o Governo está a estudar "outra via".

Isabel Mendes Lopes insiste na devolução do IVA de bens essenciais
Isabel Mendes Lopes insiste na devolução do IVA de bens essenciais ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Durante o debate quinzenal na Assembleia da República, a líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, considerou que o Governo "podia ter ido mais longe" no combate ao aumento dos preços dos combustíveis, alimentos e medicamentos, alertando que "é imoral" que empresas lucrem com a guerra.

A líder do Livre lembrou que o partido já propôs a devolução a 100% do IVA em bens essenciais para famílias com menores rendimentos e questionou o porquê de o Governo não avançar com esta medida.

Na resposta, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, argumentou que, à semelhança do IVA zero no cabaz alimentar, a devolução deste imposto neste tipo de bens também tem "problemas de aplicação, de justiça relativa e de combate ao abuso".

O Governo está "aberto a uma solução diferente" e diz estar a estudar o tema, mas Montenegro disse não poder adiantar qual será.

"O princípio até é correto mas à luz de uma visão mais coerente e sólida do efeito e da obtenção do resultado, poderemos tomar uma medida que é globalmente no mesmo sentido mas obtido por outra via", antecipou.

A porta-voz do Livre alertou ainda para os lucros extraordinários das grandes empresas petrolíferas, com valores que rondam "os 32 milhões por hora", e argumentou que, apesar de positiva, a disponibilidade do Governo para taxar lucros extraordinários do setor energético não é suficiente.

Isabel Mendes Lopes recordou outra proposta do Livre que visava reativar o quadro legal que permitiria ao Governo balizar as margens de lucro das empresas nestas situações.

Sobre este ponto, Luís Montenegro lembrou que o executivo tem vindo a fiscalizar eventuais abusos especulativos na formação de preços nas bombas de combustível.

"Até ao momento, ainda não detetámos nenhum abuso, nenhum mecanismo diferente daquele que é o mecanismo normal e regular nessa matéria. Isto significa, portanto, que a nossa ação de fiscalização deve continuar, mas ao mesmo tempo devemos continuar a promover outro tipo de medidas, nomeadamente a diminuição do ISP", acrescentou.

Luís Montenegro alertou ainda para a necessidade de existir coerência nas medidas tomadas neste âmbito, e que é impossível "começar a integrar ideias provindas de todo o lado".

Outro dos temas da intervenção do Livre foi a proposta de revisão da lei laboral, com Isabel Mendes Lopes a afirmar que "o que nasce torto dificilmente se endireita" e que todo o processo "nasceu torto".

"A bem da estabilidade aconselho que retire o pacote laboral e que comece do início o processo de concertação social", apelou Isabel Mendes Lopes.

Na resposta, Luís Montenegro afirmou que de qualquer das formas, o Livre nunca concordaria com uma proposta do Governo de alteração da lei laboral.

"Dessas bancadas, que transformaram o parlamento na concertação social que não queriam que se fizesse à mesa da concertação social com as entidades sindicais e as entidades patronais, nós não recebemos esse tipo de lição", criticou.

Montenegro acrescentou que já foram assinados "trinta e nove acordos e vinte e nove carreiras que já foram revistas em menos de dois anos".

"Mas eu já disse e vou reafirmar: quem é soberano é o parlamento. (...) A nossa posição, ao contrário dos governos que nos antecederam, é que a concertação social é um elemento fundamental para a ponderação do parlamento. Mas independentemente disso, independentemente da concertação social, o parlmento vai mesmo decidir", rematou.

Siga-nos no .           

Artigos Relacionados