Relatório final já foi entregue ao Ministério Público, que irá decidir se avança com a acusação ou se arquiva o processo contra o influencer.
A investigação da PSP ao atropelamento ocorrido em janeiro de 2024, junto ao Bingo da Amadora, aponta para indícios de dois crimes envolvendo o influencer Tiago Grila. O relatório final já foi entregue ao Ministério Público, que irá agora decidir se avança com a acusação ou se arquiva o processo.
Tiago GrilaDR
A polícia que está a investigar o caso propôs ao Ministério Público que o arguido seja acusado de dois crimes: ofensa à integridade física e omissão de auxílio, avança a SIC Notícias. Em causa está o atropelamento de uma mulher que atravessava uma passadeira com sinal verde para peões e a alegada fuga do condutor do local, deixando a vítima inconsciente e com ferimentos graves.
O caso ganhou nova atenção depois de Grila ter contado num podcast que atropelou uma pessoa junto ao bingo da Amadora e que depois fugiu do local, declarações que coincidem com o acidente ocorrido naquele local e que levaram à reabertura do inquérito. Mais tarde o influencer desmentiu-se a si próprio e disse que a confissão tinha sido uma brincadeira/golpe de marketing.
Em junho do ano passado, Grila foi constituído arguido com termo de identidade e residência pela suspeita do crime de omissão de auxílio.
O caso
A alegada confissão aconteceu no Podcast do Mestre, apresentado por Bruno Mestre. O anfitrião do podcast pediu a Grila que lhe contasse um segredo e o influencer respondeu, entre risos: "Atropelei uma pessoa e fugi". Posteriormente, deu detalhes sobre o alegado atropelamento. Que tinha sido na subida de "quem sai do Bingo da Amadora", que ia agarrado ao telemóvel, não tendo visto a pessoa a atravessar. "Oiço assim um estoiro e partiu[-se] o vidro e eu... ó abre", acrescentou, insinuando ter fugido do local. Disse ainda que viu, pelo retrovisor, a pessoa a levantar-se e que "a pessoa está viva", tendo sido apenas um "toquezinho".
Marina Sousa, mulher que foi atropelada junto ao bingo da Amadora, reconheceu o caso e identificou Tiago Grila como o condutor que a tinha atropelado. Segundo conta, o influencer passou um sinal vermelho e atropelou-a enquanto atravessava a passadeira, quando o sinal para peões estava verde. O Ministério Público decidiu então reabrir a investigação ao caso.
Tiago Grila apressou-se a desmentir a sua relação com este atropelamento num comunicado divulgado na sua conta de Instagram: "Fui surpreendido com uma notícia divulgada num canal televisivo, onde sou associado, incorretamente, a um suposto atropelamento que ocorreu no ano passado. Quero deixar claro que essa associação à minha pessoa é completamente falsa e descabida. Lamento que esta situação tenha gerado esta confusão e reforço que nada tenho a ver com o noticiado. Espero que este esclarecimento sirva para pôr fim à especulação infundada", escreveu o influencer.
Em outubro de 2025 o influencer foi detido por ameaçar com arma candidato a junta de freguesia. Foi ouvido por um procurador, no Tribunal de Moura, e libertado. Ficou com termo de identidade e residência.
Tiago Grila. PSP considera que há indícios de crimes no atropelamento na Amadora
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