Eurico, Ribau e o caso das empresas concorrentes que pertencem aos mesmos donos

Eurico, Ribau e o caso das empresas concorrentes que pertencem aos mesmos donos
Marco Alves 08 de maio de 2021

No papel são oito firmas concorrentes. Na prática, pertencem aos mesmos donos e ganham milhões em dezenas de contratos públicos. Perguntas da SÁBADO originaram demissões e queixas no Ministério Público.

O projeto chamava-se Aveiro Steam City, nasceu na Câmara Municipal de Aveiro (CMA) no final de 2017 e pretendia tornar a cidade mais digital e 5G. Entraram vários parceiros (entre eles a universidade e a Altice) e em janeiro de 2018 submeteram uma candidatura ao programa Urban Inovative Action (UIA). Mas para isso foi necessário "o apoio de uma entidade externa na revisão do trabalho desenvolvido e na sua adequação ao formulário de candidatura (a ser redigido integralmente em inglês)", diz à SÁBADO o gabinete de Ribau Esteves, presidente da CMA. Foi escolhida a consultora Inova+, "atendendo à sua experiência". Cobrou €4.500 pelo serviço, diz a CMA, mas muito mais viria a seguir.

O projeto obteve €4,9 milhões do UIA, mas teria de ser monitorizado e avaliado. Quem o faria? Segundo justificou a CMA, "em março de 2018 foi sugerido pela Inova+ que essa tarefa fosse entregue a uma entidade externa (…), um novo parceiro, isento em relação ao conteúdo do trabalho desenvolvido." Não se sabe de quem partiu a ideia (a CMA não nos diz), mas o escolhido foi o CEDES – Centro de Estudos em Desenvolvimento Sustentável. E "foi-lhe atribuído um orçamento de €376.130".

O CEDES começou então a contratar. No mesmo dia (18 de dezembro de 2019) adjudicou €49.500 à Tecpitch, €73.900 à Agilus e €73.500 à Inova+. Não só todas estas empresas estão interligadas, como o estão com o próprio CEDES (como veremos à frente). Ou seja, a "entidade externa" não era externa, nem o parceiro era "novo e isento".

eurico e ribau

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