Aveiro: o mistério do terreno que valorizou milhões no PDM

Aveiro: o mistério do terreno que valorizou milhões no PDM
Marco Alves 14 de janeiro

O irmão do presidente da câmara, Ribau Esteves, trabalha para o dono do terreno (tal como acontecia com o marido da diretora municipal que liderou revisão do PDM). O novo PDM passou a permitir prédios de nove andares onde antes só podiam existir equipamentos. Declarações entre os envolvidos são contraditórias.

É um dos terrenos mais famosos de Aveiro. Tem uma localização privilegiada, ao lado do campus da universidade, do principal hospital, de vários centros comerciais e a um quilómetro do canal central. Nos anos 90, eram ali as piscinas municipais, onde se incluía a única piscina olímpica da região.

O terreno fora expropriado pela câmara nos anos 80, depois passou para o Beira-Mar e, em 2009, quando o clube estava já de rastos, foi alienado e vendido a uma empresa privada (a Nível Dois) numa transação tão polémica na altura que deixou o terreno cativo pelo tribunal até 2013. O terreno não só tinha sido vendido ao desbarato pela câmara, como nesse processo em tribunal (conforme se lê nas atas da Assembleia Municipal), a Nível Dois disse que o presidente da câmara na altura “sabia do interesse contratual desta sociedade no negócio”.

Os anos passaram e o destino do terreno e da Nível Dois voltou a cruzar-se com um presidente da câmara de Aveiro: a revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) de Aveiro – promovida por José Ribau Esteves, entre 2015 e 2019 – contemplou uma mudança na classificação urbanística que é potenciadora de uma valorização brutal do terreno. Os seus donos (a família Novo) são ao mesmo tempo os patrões do irmão de Ribau Esteves. E essa não é a única coincidência familiar.

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