Enfermeiros de Coimbra denunciam dívida de 18.500 horas

Lusa 08 de março de 2018
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Só no Hospital Pediátrico, as dívidas de horas extraordinárias corresponde a 2.300 dias, o equivalente a "seis anos de trabalho".

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O presidente da secção regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Paulo Anacleto, denunciou esta quinta-feira que o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) deve 18.500 horas extraordinárias aos enfermeiros do Hospital Pediátrico de Coimbra.

Numa conferência de imprensa realizada hoje à porta daquela unidade pediátrica, o dirigente sindical revelou ainda que a administração do CHUC revogou, há dois dias, o direito da parentalidade, acabando com o direito das "enfermeiras e enfermeiros exercerem funções de segunda a sexta-feira em horário fixo".

"Revogando esta decisão, [o CHUC] vai colocar em causa um conjunto de circunstâncias da vida pessoal de quem tem atribuído esse tipo de horário, o que, ironia das ironias, em vésperas do 8 de Março, é um ataque frontal aos direitos de parentalidade", considerou.

Segundo Paulo Anacleto, a questão da aplicação dos direitos de parentalidade "entronca na carência estrutural de profissionais, não só no Hospital Pediátrico, mas em todo o CHUC".

Só no Hospital Pediátrico, disse, as dívidas de horas extraordinárias aos enfermeiros corresponde a 2.300 dias, o equivalente a "seis anos de trabalho".

"Isto é sinónimo de que os direitos estão cada vez mais em causa, resultante daquilo que é a carência estrutural de enfermeiros, no Hospital Pediátrico, no Hospital dos Covões e em todo o CHUC, em que as dívidas aos enfermeiros rondam as cerca de 100 mil horas", sublinhou.

De acordo com o presidente da secção regional do SEP, as dívidas foram acumuladas durante o ano de 2017 e "deviam ter sido pagas até 31 de Dezembro de 2017".

"E não sou eu que o digo. É o próprio ministério que emanou uma circular normativa para todas as instituições do SNS para que pudessem fazer o pagamento faseado até Dezembro do ano passado, mas o facto é que a dívida permanece e se vem acumulando sem fim à vista", frisou.

Segundo o sindicalista, a administração do CHUC disse que até Junho de 2018 iria pagar uma parte da dívida: "Mas nós já ouvimos e lemos esta história muitas vezes e a dívida continua na mesma e a aumentar, sem solução à vista".

Para Paulo Anacleto, a situação só se resolve com afectação de mais de 200 enfermeiros para o CHUC, que é o número em falta.

"Se entrassem hoje 200 enfermeiros no sistema, obviamente que muitos problemas seriam resolvidos", salientou o dirigente, que exortou a administração do CHUC a pressionar a tutela para avançar com a contratação.

Caso não se avance na contratação imediata de enfermeiros e no pagamento da dívida àqueles profissionais, o sindicato pode avançar com acções de luta e agir judicialmente, explicou ainda o presidente da secção regional do SEP.
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