Dia 23, obrigado ao Luís de Portugal

Dia 23, obrigado ao Luís de Portugal
Eduardo Dâmaso 13 de abril de 2020

Boris Johnson fez-me lembrar essa gente tardiamente deslumbrada com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), depois de andarem toda a vida a defender o crescimento do sector privado da saúde

Boris Johnson fez-me hoje lembrar alguns políticos portugueses, um ou outro já retirado da política activa mas com grande influência nos bastidores. Gente de fortunas bem nutridas nos negócios que se fazem depois do conforto de passar uns anos por cargos políticos, ajudando este e aquele com uma lista de telefones milagrosa, que abre toda e qualquer porta. É verdade. Boris Johnson, com o seu "Obrigado ao Luís, de Portugal", fez-me lembrar essa gente tardiamente deslumbrada com o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Sobretudo liberais de direita. Depois de andarem toda a vida a defender o crescimento do sector privado da saúde, ou mesmo a dar cabo do SNS, através de passagens por cargos ministeriais onde fizeram o possível e o impossível para diminuir o investimento público na saúde, em momentos de necessidade tiveram de recorrer ao SNS e descobriram os seus encantos. Porque um filho precisou, porque os próprios tiveram de enfrentar padecimentos apenas tratados com equipamento adequado no SNS, foram descobrindo que, afinal, o serviço público de saúde é uma das maiores conquistas da democracia e não apenas o apoio médico mínimo que era obrigatório dar ao povo. Os hospitais privados que frequentavam raramente tinham o equipamento dos hospitais públicos. Mas, sobretudo, estes tinham (e têm) profissionais de saúde excepcionais, de médicos a enfermeiros e pessoal auxiliar que, com um oceano de limitações e carências ali estavam a dar o seu melhor. Antes tarde que nunca.

 

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