CGTP quer garantias sanitárias para trabalhadores voltarem à atividade

Lusa 20 de maio de 2020
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Trabalhadores precisam ainda que "haja suficiente oferta de transportes públicos, para que se possam deslocar com o distanciamento necessário", disse Isabel Camarinha.

A CGTP defendeu hoje que os trabalhadores que estão a voltar à atividade laboral depois do confinamento precisam que lhes sejam garantidas as necessárias condições de saúde e segurança nas empresas e nos transportes públicos.

"Nesta fase de retoma, os trabalhadores precisam que lhes sejam garantidas as condições de saúde e de segurança e de subsistência. Ao mesmo tempo precisam que haja suficiente oferta de transportes públicos, para que se possam deslocar com o distanciamento necessário", disse a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, à agência Lusa.

As declarações de Isabel Camarinha à Lusa foram feitas após uma conferência de imprensa da central sindical entre as instalações da Sonae e o apeadeiro da CP do Espadanal da Azambuja.

O local para a conferência de imprensa foi escolhido pela União dos Sindicatos de Lisboa e contou com a participação dos sindicatos do comércio e serviços e dos transportes.

Segundo Isabel Camarinha, este local do concelho de Azambuja foi escolhido para a "ação simbólica" da CGTP porque é um polo logístico de empresas de distribuição e de indústria alimentar, que reúne cerca de 8.500 trabalhadores de 230 empresas.

"A maioria destes trabalhadores precisa do transporte público, que antes da pandemia andavam superlotados e que ainda não foram reforçados para garantir o distanciamento", disse.

Isabel Camarinha considerou que os trabalhadores que vão regressar ao trabalho depois do confinamento precisam de confiança e para isso têm de ter garantias de saúde e segurança e de respeito pelos seus direitos individuais e coletivos.

A sindicalista lembrou também que a maioria dos trabalhadores que trabalham nos armazéns da Sonae e da Jerónimo Martins, naquele local, nunca pararam a sua atividade porque prestam um serviço essencial à população.

Por isso, 42 trabalhadores de um dos armazéns da Sonae na Azambuja estão infetados com a covid-19 e os restantes estão a ser testados.

Este é um dos motivos por que a líder da CGTP reafirmou a necessidade das empresas assegurarem as condições sanitárias necessárias aos seus trabalhadores, nomeadamente equipamentos de proteção.

De acordo com uma notícia de hoje da Lusa, a Sonae MC assegurou que a empresa já implementou um conjunto de medidas para "minorar este problema", nomeadamente o desfasamento dos horários dos turnos e a duplicação dos autocarros que transportam os trabalhadores até ao armazém.

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), reconheceu que a empresa está a tomar medidas para travar o contágio, mas considerou-as insuficientes e defendeu que os testes devem ser alargados aos cerca de 3.000 trabalhadores da Sonae da Azambuja.

A Sonae é a segunda empresa da Plataforma Logística de Azambuja onde foi detetado um número significativo de casos da covid-19.

No dia 02 de maio, a empresa de produtos alimentares Avipronto fechou provisoriamente depois de terem sido detetados 38 casos positivos de infeção pelo novo coronavírus entre os funcionários.

Após os 300 funcionários da empresa serem testados, foram detetados 101 casos positivos.

Entretanto, a empresa retomou no dia 11 a laboração com cerca de 30 trabalhadores, divididos em dois turnos.

Em Portugal morreram 1.263 pessoas das 29.660 confirmadas como infetadas, e há 6.452 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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