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CGTP critica Ventura e pede derrota de quem culpa sempre o imigrante e nunca o patrão

Dirigente da CGTP criticou o líder do Chega por estar "sempre a falar de rendimento mínimo e nunca fala do rendimento máximo".

O secretário-geral da CGTP-IN apelou esta segunda-feira aos trabalhadores para que derrotem, nas eleições presidenciais, a "retórica que coloca trabalhador contra trabalhador" e que culpa sempre o imigrante e nunca o patrão, esperando que Seguro cumpra as suas promessas.

Secretários-gerais da CGTP e UGT no início da greve geral na Autoeuropa
Secretários-gerais da CGTP e UGT no início da greve geral na Autoeuropa

"Relativamente às [eleições] presidenciais, deixar aqui também um apelo, um apelo aos trabalhadores, ao mundo do trabalho: é preciso derrotar aqueles que diariamente usam uma retórica de colocar trabalhador contra trabalhador, que na sua retórica diária a única coisa que dizem é culpar aquele que nada tem, colocando contra quem pouco tem. Dessa conversa nós estamos fartos", apelou Tiago Oliveira, em declarações aos jornalistas na sede da central sindical, em Lisboa.

Apesar de nunca referir diretamente o nome de André Ventura, que vai disputar a segunda volta das eleições presidenciais dia 08 de fevereiro com António José Seguro, o dirigente da CGTP-IN fez referência ao líder do Chega e candidato a Belém, criticando quem está "sempre a falar de rendimento mínimo e nunca fala do rendimento máximo".

"Aquele que culpa sempre o trabalhador imigrante e não culpa o patrão, porque à custa do trabalhador imigrante não aumenta os salários de todos nós, que é sempre o mesmo, que é esse que ganha, de facto, os grandes lucros. Essa retórica tem que ser combatida e cá estaremos nós para dar combate", garantiu.

Tiago Oliveira pediu aos trabalhadores que olhem para a sua condição laboral e lutem para a melhorar, realçando que "todos nós, independentemente de onde a gente vem, somos trabalhadores".

"Somos todos nós que fazemos falta todos os dias para que nada falte na nossa vida e, portanto, isso é que precisamos combater, essa retórica dominante que anda aí a tentar ser criada", criticou.

Após uma reunião com o coordenador nacional do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, que disse esperar que os compromissos sobre o anteprojeto do Governo de alteração à legislação laboral sejam "para valer", Tiago Oliveira também afirmou que espera que o socialista António José Seguro se mantenha coerente com as suas declarações durante a campanha sobre o pacote laboral, caso seja eleito chefe de Estado.

"O próprio António José Seguro diz que este pacote laboral é para derrotar. Ora, aquilo que a CGTP espera é que quem usa estas palavras em campanha eleitoral que o faça depois, caso seja eleito o Presidente da República", afirmou.

Tiago Oliveira lembrou que, na semana passada, a CGTP teve uma reunião com o primeiro-ministro e afirmou que nesse encontro foi possível "desconstruir algumas das coisas que o Governo tem colocado em cima da mesa".

"Que a CGTP não quer negociar, que a CGTP não dialoga, que a CGTP é intransigente. Tem sido a retórica dominante que o Governo tem colocado na opinião pública", lamentou, criticando ainda que no dia seguinte à reunião a ministra do Trabalho tenha afirmado no parlamento que o executivo "não vai eternizar" a discussão sobre a legislação laboral na concertação social, pelo que, "se essa dinâmica não se revelar frutífera", irá apresentar a proposta à Assembleia da República.

Tiago Oliveira apontou que o Governo "sabe perfeitamente aquilo que é o conteúdo deste pacote laboral" e o "quão negativo é para o mundo do trabalho", só que "tem uma agenda política por trás".

"Mas o Governo não conta com uma coisa, é com a luta dos trabalhadores, e essa é que é determinante. Os trabalhadores fizeram uma grande greve geral no passado dia 11, e aquilo que os trabalhadores vão querer é a derrota deste pacote laboral", afirmou, lembrando que está convocada uma manifestação nacional para o dia 28 de fevereiro em Lisboa e Porto.

Aconselhando que o Governo "olhe para a maioria", Tiago Oliveira considerou que o executivo liderado por Luís Montenegro não pretende chegar a entendimentos e quer apenas "levar a sua agenda por diante".