Muito se fala de uma geração à qual atribuem mais defeitos do que qualidades. Talvez seja, contudo, seja esta a geração que vai mudar tudo. E, por tudo, entenda-se, t u d o.
A geração Z tem vindo, de forma lenta e consequente, a dar um contributo activo para transformar a nossa sociedade, alterando formas de estar e de agir. No trabalho, por exemplo, redefine prioridades: exige equilíbrio, bem-estar, propósito e reconhecimento. Na vida, apesar de uma maior vulnerabilidade em questões de auto-estima e saúde mental, há uma diferença estrutural face a gerações anteriores. Assumem, evitam as aparências. Já não se trata de parecer, mas de ser. Essa autenticidade desloca o indivíduo para o centro de um paradigma que, durante décadas, o ignorou.
Em contexto digital, esta mesma geração revela-se disruptiva, recuperando, aparentemente, o analógico. Aparentemente, sendo esta uma geração mais autêntica? Vamos por partes. Ao que se sabe, descobre marcas online mas procura cada vez mais sair para comprar, procura a experiência que abandonámos na viragem do século, quando começámos a digitalizar tudo e, mais recentemente, quando, por limitação, fomos levados a comprar sem sair de casa. Os sentidos voltam a ser convocados e o consumo transforma-se num encontro, muitas vezes também para validação social. Dados recentes mostram que uma boa parte dos jovens da Geração Z prefere visitar a loja para comprar, num sinal óbvio de que a experiência voltou a ganhar preponderância no acto de consumir. Em paralelo, modelos dominantes como a subscrição começam a ser questionados: o iPod está a regressar, os telemóveis de teclas têm vindo a ganhar popularidade, as câmaras digitais e até o rolo fotográfico. No caso do iPod, descontinuado pela Apple, cresce o mercado de equipamentos recondicionados, impulsionado por uma geração que procura uma experiência mais delimitada. Ouvir música, apenas isso, sem notificações, algoritmos ou interrupções.
Também no consumo cultural, os sinais parecem claros: estudos indicam que 40% dos jovens entre os 18 e os 24 anos compraram vinil no último ano e uma maioria significativa fá-lo de forma recorrente. Outros fotograma apenas com rolo e muitos foram recuperar as máquinas digitais dos pais. Marcas como a Kodak regressam com modelos híbridos, relacionando a experiência analógica com o conforto do digital mantendo, contudo, a delimitação das funcionalidades, sem ligação directa à rede ou às redes. Estes números, por si só, não sustentam a ideia do regresso ao analógico, embora sejam um sinal de mudança. Bourdieu diria que é um comportamento de classe e uma forma de capital cultural: distingue, sinaliza, encena. Além do uso, linguagem e performance. Há estudos que indicam que uma percentagem não negligenciável compra vinil como objeto decorativo. Será?
Vivemos num tempo de excesso, em que estamos sempre disponíveis, tudo é rápido e saturado resultando em mais cansaço do que liberdade. Quase metade da Geração Z admite sentir-se sobrecarregada pelo digital e muitos estão a reduzir intencionalmente o tempo de ecrã. São poucos mas já existem jovens sem redes sociais. O analógico surge, assim, como promessa de pausa e presença. Ainda assim, convém não romantizar.
A nostalgia é, de facto, uma tendência. Mas talvez seja mais do que isso: um sintoma de tudo o que está a acontecer, dos movimento cruzados e contraditórios que explicam esta necessidade de estar e não estar, participar e contrariar. E é nessa tensão entre excesso e vazio, digital e analógico, consumo e significado que esta geração - e outras, também - se move. Para tentar recuperar, no presente, alguma forma de presença.
Muito se fala de uma geração à qual atribuem mais defeitos do que qualidades. Talvez seja, contudo, seja esta a geração que vai mudar tudo. E, por tudo, entenda-se, t u d o.
Pela primeira vez, discute-se de forma consequente a arquitectura destas plataformas: não apenas o conteúdo, mas os mecanismos que o tornam irresistível.
As escolhas já ultrapassam, em muito, separar ou reciclar o lixo, fazer compostagem em casa ou desligar as luzes. São medidas importantes mas, mais importante, é a literacia que nos falta para compreender os modos de funcionamento e agenciamento dos interesses subjacentes às empresas que dominam o que comemos ou bebemos.
O estudo, feito com 23 mil pessoas em 29 países, incluindo Reino Unido, EUA, Brasil, Austrália e Índia, mostra diferenças geracionais claras nos papéis de género e um retrocesso na independência feminina.
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