NEWSLETTER EXCLUSIVA PARA ASSINANTES Novidades com vantagens exclusivas: descontos e ofertas em produtos e serviços; divulgação de conteúdos exclusivos e comunicação de novas funcionalidades. (Enviada mensalmente)
A morte não é um fim, sendo antes o início de um novo ressurgimento.
A Páscoa é uma data que assume um especial significado mesmo para os ateus como eu.
Claro que podemos encontrar raízes para este acontecimento nos rituais pagãos respeitantes à Sagração da Primavera e ao Equinócio que constitui o marco inicial dessa estação do ano.
A morte não é um fim, sendo antes o início de um novo ressurgimento.
Contudo, essa data significa também o culminar de um relato relativo à vida de um homem que poderá ou não ter existido (mas são vários os relatos que a ele aludem) e que muitos – o que não é o meu caso – acreditam ser filho de Deus.
Por variadíssimas razões, a principal das quais é a que decorre do meu entendimento de que a religião é uma questão da vida pessoal (privada) de cada pessoa, não vou aqui debater essa questão, nem as várias contradições acerca da chamada Santíssima Trindade, até porque, em última análise, se trata de uma questão de fé.
“Eis o mistério da Fé”, proclama-se numa das orações proferidas nas missas que semanalmente se realizam por todo o Mundo.
Enfim, não em todos os lugares do Mundo, porque, facto que considero deplorável, há sítios onde é proibido realizá-las – como por exemplo em Israel e não apenas em certos países muçulmanos.
O que para mim é importante nesta ocasião é que ela assinala a vida de alguém que teve a ousadia e a enorme coragem de afrontar os poderosos do seu tempo e que lutou e morreu por ideais universais que são os melhores que a Humanidade conseguiu produzir e que ainda hoje não estão integralmente cumpridos, a saber: a igualdade entre todos os seres humanos, a tolerância e o respeito mútuo entre todos os seres humanos, com pleno reconhecimento das diferenças que entre nós existem, a procura da paz e a recusa activa da prática do mal.
Repudia o Mal e faz aos outros o que queres que te façam a ti.
Magnífico, não é verdade? Eu acho que sim.
E é exactamente por isso que sinto o mais profundo desprezo por aqueles que se dizem cristãos e que todos os dias agem em total e frontal oposição a esses princípios sustentados pelo judeu sefardita Yeshua ben David e aos quais ele dedicou a sua vida, até ao sacrifício da morte.
Alguns, como por exemplo André Ventura (que não é o único em Portugal e no Mundo – a Administração Trump está cheia desses fariseus), são mesmo obscenamente blasfemos, com a sua miserável tentativa de apropriação do cristianismo como forma de justificação do seu abjecto ideário e das suas criminosas acções.
Daí que não consiga compreender tanta passividade face àqueles que “invocam o Santo Nome de Deus em vão”.
Felizmente já são muitas as vozes entre os católicos e outros cristãos que se erguem contra esses verdadeiros detratores dos ensinamentos atribuídos a Yeshua ben David.
E muito gostaria eu de ter, nesta data, a paz que nesses ensinamentos é erigida como um Bem Maior da Humanidade.
Infelizmente, em Portugal e no Mundo estamos muito longe de alcançar esse tão benigno desígnio.
E, em boa verdade, também todos os outros.
Ouvi, sem qualquer surpresa, os discursos proferidos na sessão solene de comemoração do 50º aniversário da aprovação da Constituição da República de 1976.
E nem sequer a odiosa canalhice e total falta de educação e de civilidade (e de boas maneiras) de André Ventura e dos deputados do Chega me surpreendeu.
E diz aquela gente que são pessoas de bem. Não são e nunca o foram.
Todavia, não foram os únicos a assumir o seu ódio profundo à Democracia e ao sistema político (o Estado de Direito) consagrados naquela Constituição - estou concretamente a referir-me ao CDS.
E esse ódio profundo estende-se a tudo o que, em termos culturais e civilizacionais, foi construído após Abril de 1974.
E não se circunscreve ao Chega de André Ventura e ao CDS, como bem está demonstrado com as propostas legislativas, umas já aprovadas e outras na forja, apresentadas pelo governo liderado por Luís Montenegro.
Governo esse que, o que não deixa de ser irónico, é formado por pessoas que nunca teriam exercido qualquer cargo nos executivos da AD no tempo de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, que morreram num acontecimento que por muitos foi considerado, com base em indícios e argumentos que, de todo, não são desprezíveis ou descartáveis, um atentado.
Trágica ironia, acrescento.
Mas qual é a raiz de tanto ódio? Por que motivo querem tanto essas pessoas fazer regredir a sociedade aos tempos negros do Estado Novo?
Sim, porque a pretensa modernidade e o espírito reformista que apregoam constitui, afinal, um inequívoco e inegável retrocesso civilizacional, isto é, um efectivo regresso a velhos ideais que negam a diversidade e querem destruir os direitos daqueles que por essa gente são considerados como não normais ou inferiores.
A resposta é relativamente simples, como já adiantei em outros destes meus escritos semanais.
Os que assim se comportam são aqueles e aquelas e os seus filhos e netos (e também algumas filhas e netas) que perderam os poderes e as situações de privilégio que tinham antes do 25 de abril de 1974, ou sejam os derrotados desse 25 de abril, do 28 de setembro de 1974 e do 11 de março de 1975, e que sentiram um real e profundo medo nos tempos do PREC, que durou entre os dias 11 de março e 25 de novembro de 1975.
Situação de medo essa que lhes causou uma igualmente profunda humilhação que não esquecem nem perdoam.
E é esse desejo de vingança, pura e simples, que está a ser exercitado contra aqueles que provocaram esse estado de humilhação de que os que o viveram nunca recuperaram e que conseguiram transmitir aos seus descendentes.
Tragicamente, mercê de uma insatisfação generalizada da população do país (e que, em si mesma, é justificada), existe na Assembleia da República uma maioria conjuntural que facilita a possibilidade de esse ajuste de contas com o passado se poder vir a concretizar.
E, para mal da esmagadora maioria de nós, não vai ser fácil impedir que isso aconteça.
O que aconteceu nos EUA com as nomeações de juízes para o Supremo Tribunal Federal feitas por Trump e “carimbadas” pela sua maioria MAGA no Senado, deveria ser um sinal de alerta mais do que suficiente para os perigos que decorrem de um acordo com um partido xenófobo, racista e fascista como é o Chega.
Seria de esperar que a esmagadora votação no actual Presidente da República tivesse levado Luís Montenegro a perceber que a sua aliança tácita com o Chega era um caminho repudiado por uma enorme maioria dos portugueses e portuguesas que votaram nessa eleição.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.