O líder do CDS/Madeira considerou que o partido tem de "substituir o conformismo pela ambição" e seguir "um caminho próprio, independentemente de quem segue ao [seu] lado".
O presidente da mesa do congresso do CDS, José Manuel Rodrigues, defendeu este sábado que o partido deve afirmar as suas diferenças face ao PSD, parceiro de coligação, e ganhar "autonomia política e estratégica".
José Manuel Rodrigues, presidente da mesa do Congresso do CDS Ricardo Ponte/arquivo
"Julgo que estamos todos aqui para reafirmar a confiança nas coligações que assinámos, mas nenhum de nós aceita trocar o CDS por uma fusão ou por uma diluição noutro partido. O CDS tem o seu espaço próprio, tem uma ideologia, uma doutrina, princípios e valores que mais ninguém defende e é por isso que temos um futuro pela frente", defendeu o dirigente.
Falando na abertura dos trabalhos do 32.º Congresso do CDS, considerou que os centristas vão terão sucesso nesse futuro se afirmarem as suas "diferenças em relação aos outros partidos, incluindo o parceiro de coligação" e se ganharem "autonomia política e estratégica nas alianças" que fizerem e se tiverem "a marca CDS" nos governos que integrarem.
O líder do CDS/Madeira considerou que o partido tem de "substituir o conformismo pela ambição" e seguir "um caminho próprio, independentemente de quem segue ao [seu] lado".
"Falta-nos dar ao respeito muitas vezes para sermos respeitados. Falta-nos substituir o medo pela coragem de afirmar os nossos valores. Falta-nos dar músculo a este corpo partidário que se move por todo o país às vezes com falta de orientação. Falta-nos, como tantas vezes aconteceu na nossa história, saber interpretar a vontade e as expressões dos portugueses. Esse trabalho já começou, mas precisa de ser reforçado e fortalecido", indicou.
O presidente da mesa do congresso mostrou-se ainda convicto de que desta reunião magna "sairá uma estratégia e dirigentes que saibam voltar a fazer do CDS um dos grandes partidos de Portugal".
O secretário regional assinalou que o CDS "é governo na República, nos Açores e na Madeira" e tem "a responsabilidade acrescida de ser o garante da estabilidade política nestes três espaços políticos e contribuir para a governabilidade de Portugal e das suas regiões autónomas".
"Mas não nos podemos iludir. Esta presença do CDS nos três governos é mais fruto das circunstâncias políticas que a conduziram ao fim das maiorias absolutas de um só partido e ao fim do bipartidarismo, do que da força eleitoral do CDS. Tenhamos consciência deste facto porque ele é muito relevante para a estratégia que o partido vai aprovar neste congresso", alertou.
José Manuel Rodrigues disse que, apesar de o CDS integrar os três governos "por mérito próprio e por vontade de milhares de diretores", é "igualmente certo que a força, que a influência na governabilidade nacional, já foi muito superior" àquela que o partido tem hoje.
"O nosso objetivo não pode ser contentar-nos com o que temos e somos, mas sim ter a ambição de voltar a ser um grande partido mais influente, mais decisivo, mais marcante no Governo e na sociedade portuguesa", apelou, pedindo aos quadros do CDS que regressam à vida partidária.
O dirigente centrista defendeu ainda que o CDS deve "manter a unidade na diversidade de pensamento".
Na sua intervenção, José Manuel Rodrigues agradeceu ainda ao líder do partido por ter feito o CDS "renascer e voltar ao Parlamento da República e ao Governo" e também deixou uma palavra à Juventude Popular, considerando ser a "juventude mais dinâmica e a que mais cresce em Portugal".
Depois de declarar abertos os trabalhos, o presidente do congresso disse também que "não é por acaso" que esta reunião magna se realiza nesta zona do país, assinalando que é "uma forma de o partido estar solidário com as populações que foram afetadas pelas tempestades do início do ano".
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