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No rescaldo de uma noite eleitoral sem grandes boas notícias para os comunistas, António Filipe viu-se obrigado a apoiar Seguro na segunda volta.
A noite não muito feliz de António
Filipe foi acompanhada ao minuto no SANA Metropolitan, em Lisboa, numa sala
composta por apoiantes e jornalistas. A noite foi pautada com gritos de “a
luta continua” e com algumas caras conhecidas do Partido Comunista Português, mas em clima tranquilo.
Paulo Raimundo e António FilipeEPA/ANTONIO COTRIM
Um fio condutor de todas as intervenções
dos responsáveis comunistas esta noite foi a forma como consideram ser preciso
lutar contra a candidatura “portadora de um protejo reacionário para o País”,
ou seja, a candidatura de André Ventura, líder do Chega. Vasco Cardoso, o
primeiro a reagir, reforçou até o trabalho de “anos de luta contra o fascismo”
de António Filipe.
Calcula-se que tenha sido por
isso que, às 20h00, as primeiras projeções – que ditavam uma segunda volta
entre António José Seguro e André Ventura – foram recebidas com total silêncio.
Passada uma hora e meia António Filipe chegou, acompanhado pelo secretário-geral
do partido, para discursar aos seus apoiantes e mais tarde ficou claro que o
comunista teria para si reservado o sétimo lugar, com apenas 1,64% dos votos.
O ex-deputado do PCP considerou que
“o povo português vai ter de enfrentar grandes obstáculos e desafios”,
nomeadamente os que acusa o governo de impôr através do novo pacote laboral: a crise da habitação ou falta de investimento no SNS. Por isso promete manter-se
ao lado do povo português: “A partir de amanhã estaremos cá com a mesma
determinação e coragem”, assegurou.
António Filipe considera que a “luta”
passa por “fazer frente a uma grave ameaça à democracia”, algo com que Paulo
Raimundo concordou na intervenção que se seguiu. O secretário-geral do PCP
afirmou que não foi possível impedir uma segunda volta “com uma clara política
de Belém”, ainda assim pediu àqueles que votaram em António Filipe que votem em
Seguro no dia 8 de fevereiro para “afastar da presidência da República alguém
que tem um protejo reacionário”: “Esta é uma opção que exige de forma clara o
voto contra a candidatura de André Ventura”.
Em resposta às perguntas dos
jornalistas, António Filipe reforça que “o apelo ao voto [em Seguro] não
significa um apoio ao candidato nem aquilo que defende”, pelo que não sente “arrependimento
nenhum” por ter levado a cabo a sua campanha.
“Houve muitas pessoas que me disseram
que iam votar na candidatura de António José Seguro por medo de ter dois
candidatos muito à direita na segunda volta”, partilha ainda.
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