Adesão à greve da Ryanair atinge os 90%

Lusa 29 de março de 2018
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A adesão à greve dos tripulantes portugueses da Ryanair ultrapassa os 90%, mas a transportadora aérea está a substituir os grevistas por tripulantes de outros locais.

Ryanair, avião, pista
Ryanair, avião, pista

A adesão à greve dos tripulantes portugueses da Ryanair ultrapassa os 90%, mas a transportadora aérea está a substituir os grevistas por tripulantes de outros locais, "cometendo uma ilegalidade", garantiu hoje a presidente do SNPVAC.

"Há uma substituição de grevistas porque a Ryanair, novamente cometendo uma ilegalidade, traz tripulantes de outras bases para fazer os voos a partir das bases em Portugal", criticou Luciana Passo, dirigente do Sindicato Nacional Do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).

Os tripulantes de cabine da companhia aérea de baixo custo começaram às 00h00 de quinta-feira o primeiro de três dias não consecutivos de greve, durante o período da Páscoa, para exigir o respeito de direitos previstos na lei nacional.

Em declarações à agência Lusa, a dirigente sindical explicou ainda que a transportadora "faz uma reversão dos voos", exemplificando com a hipótese de um voo em vez de fazer a ligação Lisboa-Paris-Lisboa, passa a "sair de Paris, vem a Lisboa e volta a Paris".

"Isto provoca atrasos e constrangimentos, no entanto, não se pode dizer que o voo que saiu de Lisboa foi cancelado porque houve esta substituição de grevistas, que é ilegal", sublinhou Luciana Passo, adiantando que "em Portugal a adesão à greve é superior a 90%".

As contas com base nos voos programados iriam revelar "praticamente todos os voos cancelados, com esta substituição não será assim, mas recorrendo a uma ilegalidade", segundo a mesma fonte.

Questionada sobre acções a tomar, a dirigente avançou que será feita "queixa às instâncias que têm que tomar uma atitude, mas isso não é feito agora" até porque será necessário acompanhar a evolução da greve ao longo desta quinta-feira.

Da base do Porto deveriam sair oito voos da parte da manhã, "apenas saíram três", e para a tarde estão programados mais oito, por isso o sindicato quer perceber como "é que a Ryanair consegue trazer mais tripulantes para operarem mais voos a partir do território nacional".

O SNPVAC convocou uma greve de tripulantes de cabine da Ryanair para hoje, domingo de Páscoa e quarta-feira (dia 4 de Abril), porque as conversações com a transportadora "verificaram-se infrutíferas" sobre as exigências para aplicar a lei portuguesa, nomeadamente o direito de parentalidade e baixas médicas.

Entretanto, a Ryanair ameaçou reduzir o número de aviões nas bases que tem em Portugal se a greve dos tripulantes de cabine no período da Páscoa avançar, num memorando enviado aos trabalhadores, a que a agência Lusa teve acesso.

"Se estas greves desnecessárias avançarem, vão perder salário, prejudicar o bom nome dos tripulantes de cabine da Ryanair junto dos nossos clientes e teremos que rever o número de aeronaves actualmente baseadas em Portugal", lê-se no documento assinado por Eddie Wilson, responsável pelos recursos humanos da companhia aérea.

O mesmo responsável notou que essas deslocalizações de aviões poderão acontecer quando os aviões puderem ser desviados "para bases fora de Portugal e continuar a operar nessas rotas".

Eddie Wilson referiu que um memorando enviado na segunda-feira ao SNPVAC "já reconhece o sindicato, concorda incorporar a lei portuguesa nos contratos existentes e propõe negociar um acordo colectivo de trabalho" na reunião de abril.

A jurista da Deco Ana Sofia Ferreira informou à Lusa que greve não é uma circunstância que imputável às transportadoras aéreas, pelo que "não há direito à indemnização, excepto se a transportadora já depois de ter recebido o pré-aviso de greve continuar a vender bilhetes já conhecendo e sabendo antecipadamente que muito provavelmente não vai poder realizar aqueles voos".
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