A professora que desafiou Mariana Mortágua

A professora que desafiou Mariana Mortágua
André Rito 27 de novembro de 2016

Carregou blocos de cimento, deu aulas e abriu várias empresas. As primeiras poupanças foram em ouro

Pouco depois de Mariana Mortágua ter dito que era preciso "perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular", durante uma iniciativa do PS, Cristina Miranda, 50 anos, lembrou-se de uma fotografia antiga. Uma imagem descolorada que a professora de Viana do Castelo guarda religiosamente desde o Verão de 1982: tinha 16 anos e estava sentada numa empilhadora carregada de blocos de cimento. "Foi o meu primeiro trabalho, nas férias. Era uma forma de me redimir porque tinha chumbado nesse ano", conta à SÁBADO. Em Setembro já não regressou às aulas: era preciso acumular.

A história tornou-se viral na semana passada, depois de a professora ter publicado uma carta aberta a contestar o imposto sugerido pela deputada do Bloco de Esquerda. Cristina Miranda, que não faz parte dessa minoria com saldos médios de quatro casas decimais, foi das vozes que mais se ouviram: em poucas horas o seu post teve milhares de partilhas. "Fiquei assustada. Foi um desabafo, não foi programado. A verdade é que muita gente se identificou com o que escrevi, enviaram-me mensagens a agradecer, algumas pessoas com nome na praça [não diz quais] até me desafiaram a pensar num projecto político."

Empilhar e fugir


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