A ministra que se perdeu no labirinto da Saúde

A ministra que se perdeu no labirinto da Saúde
Bruno Faria Lopes 07 de fevereiro

Marta Temido prefere centralizar tudo e ouve pouco, mesmo que a consequência seja deixar respostas por dar. Está a perder a luta contra uma pandemia que expôs o défice de gestão no SNS.

Há 10 dias, um documento subscrito por 68 peritos em Ciência Comportamental foi enviado para o Ministério da Saúde e para o primeiro-ministro, propondo o apoio de profissionais da área, crucial para persuadir as pessoas sobre as medidas restritivas. Por enquanto, a resposta não chegou – e, se os exemplos recentes forem a regra, é possível que nunca chegue.

Em março do ano passado, no início da epidemia em Portugal, a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares propôs ao Ministério da Saúde a criação de uma unidade de missão mais ágil – uma task force – que liderasse a gestão operacional dos meios para a pandemia. A resposta nunca chegou.

Pouco depois, a Associação Portuguesa de Economistas da Saúde (APES) enviou uma oferta de apoio técnico, admitindo mesmo, para gerar confiança da habitualmente desconfiada política, que os cerca de 20 especialistas dispostos a trabalhar assinassem acordos de confidencialidade. A resposta nunca chegou. "Achámos que podíamos ajudar", afirma Céu Mateus, presidente da APES, que não guarda ressentimento. "Sei as limitações com que se debate a Administração Pública, mas percebo que não respondam – não conseguimos imaginar o que é estar ali", admite.

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