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A inédita fuga da família real para o Brasil

Ana Taborda
Ana Taborda 05 de maio de 2026 às 23:00

Era um cenário nunca antes visto: em 1807, 15 mil pessoas embarcaram à pressa de Lisboa para fugir às tropas de Napoleão. Em carruagens que nunca saíram do cais deixaram as pratas das igrejas; no chão e dentro de caixas, à chuva, ficaram os 60 mil livros da valiosa Biblioteca Real. Durante três meses sobreviveram a tempestades e raparam o cabelo para combater ataques de piolhos. Numa escala de um mês em Salvador da Baía, D. João VI abriu os portos da antiga colónia a um mundo que não a conhecia - e que por isso mesmo chegou a enviar patins de gelo e aquecedores para vender nos trópicos.

O oficial da corte já estava a dormir quando um mensageiro o acordou com a notícia: apesar de ser meia-noite, devia dirigir-se de imediato a uma das salas do Palácio da Ajuda, para onde D. João VI se mudara no início do mês. Joaquim José de Azevedo levantou-se a correr: quando entrou na sala, o conselho de Estado continuava reunido. Naquela altura o oficial ainda não sabia, mas seria a última vez, em 13 anos, que lhe pediriam para interromper uma reunião em Lisboa. A 24 de novembro de 1807, o oficial recebeu a ordem que há muito o Príncipe Regente evitava dar: para fugir à invasão das tropas de Napoleão, devia preparar o embarque da família real e de toda a corte para o Brasil. E esse embarque tinha que acontecer já no dia 27.

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