A campanha em que Soares desejou até ao fim uma nova "Marinha Grande"

A campanha em que Soares desejou até ao fim uma nova 'Marinha Grande'
Fernando Esteves 08 de janeiro de 2017

Contra tudo e todos, candidatou-se em 2006 às presidenciais contra Cavaco. Acreditou na vitória até ao último comício. Mas faltou-lhe um evento que virasse o jogo em seu favor

Num quente início da tarde de 15 de Julho de 2005, depois de uma reunião do Conselho de Estado, a que ambos pertenciam, Jorge Coelho e Mário Soares juntaram-se à mesa do restaurante São Jerónimo, em Belém, situado bem perto do palácio. Falava-se então da hipótese de nomes como Manuel Alegre, ou até Freitas do Amaral, avançarem como candidatos às presidenciais de 2006 apoiados pelo Partido Socialista (PS).

Coelho, que era coordenador da Comissão Permanente, não se excitava particularmente com qualquer das possibilidades. Também não considerava que a solução Soares fosse perfeita – longe disso. Mas era o que havia no momento para tentar salvar a honra do convento. Nesse almoço, Soares ter-se-á comprometido a avançar se não houvesse mais ninguém na área da esquerda – e avançaria mesmo atropelando violentamente os conselhos familiares. Dias antes organizara um jantar com de família e até os netos já crescidos se pronunciaram contra. Perante o cepticismo reinante, Soares afirmou: "Devo ir porque tenho condições para ganhar isto. O Cavaco, que disparate!"

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