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"Retornados": histórias dos que não voltaram a Portugal

Bruno Faria Lopes
Bruno Faria Lopes 18 de novembro de 2025 às 23:00

Milhares de portugueses que saíram de Angola e de Moçambique há 50 anos não vieram para Portugal ou apenas passaram pelo país. Muitos já tinham nascido em África. Houve quem voltasse mais tarde, mas vários continuam fora, onde se relançaram. Escaparam ao rótulo de "retornado", mas não ao sentimento de perda.

Quer ir para Portugal?”, perguntou o oficial da imigração sul-africana. João Albuquerque, 26 anos, tinha recusado todas as propostas de trabalho dos fazendeiros que iam ao campo de refugiados portugueses para recrutar - esperava ainda por uma oportunidade melhor na indústria da celulose, na qual trabalhara em Angola. Os que nos últimos meses de 1975 passaram naquele campo, perto de Joanesburgo, já tinham sido triados pelas qualificações e pela cor da pele - só os imigrantes brancos podiam ficar na África do Sul do apartheid. Todos haviam sido contratados e o campo ia fechar. Só faltava João, que fora para aos 6 anos e não queria voltar a Portugal - e a sua mulher Célia, nascida no Lobito, com 19 anos e perto do fim da gravidez. “Portugal não nos dizia nada”, conta João Albuquerque. “A ideia que tínhamos era de um País pobre”, junta.

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