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Torre Bela: "Isto de caçada não tem nada. É um extermínio"

Leonor Riso 21 de dezembro de 2020

José Bernardino, presidente da Confederação Nacional de Caçadores Portugueses, lamenta a morte dos 540 animais na herdade. Estudo de impacte ambiental previa duas alternativas: a transferência dos veados, gamos e javalis para outro local ou o seu extermínio.


"Olhe, não chame caçada a isto." O desabafo é de José Bernardino, presidente da Confederação Nacional de Caçadores Portugueses (CNCP), confrontado com as imagens da caçada na herdade da Torre Bela, Azambuja, em que foram mortos 540 veados, gamos e javalis. "Isto de caçada não tem nada. Tem um objetivo único, o extermínio dos animais que lá estavam."

Na herdade privada, está prevista a instalação de um parque fotovoltaico explorado pelas empresas Neoen (através da CSRTB) e AuraPower. O estudo de impacte ambiental encontra-se em fase de consulta pública e, no documento, é apontada a presença de animais de caça, porque a Quinta da Torre Bela é uma tapada, e duas alternativas: a transferência dos animais para outro local ou o extermínio. "Será necessário encontrar uma solução para estes animais, dado que futuramente deixarão de ter habitat adequada dentro da Tapada, na zona que ficará ocupada pelos painéis", lê-se.

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"Da avaliação preliminar efetuada, verificou-se que os veados e gamos em causa são espécies não interessantes do ponto de vista de conservação pois possuem uma genética que não corresponde às espécies ibéricas, e como tal, não poderão ser introduzidos em espaços abertos (libertados em zonas de serra). Está a ser ponderada uma solução alternativa da sua transferência para uma outra herdade (vedada) da mesma proprietária, em alternativa a uma solução mais drástica de extermínio desta população através de sucessivas ações cinegéticas. Nesta fase estão a ser avaliadas as várias soluções, a quais, durante a elaboração do EIA, serão apresentadas ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a fim de se aferir qual a solução considerada mais adequada", indica o documento. 

José Bernardino acredita que a transferência dos animais seria difícil. "Se estivessem lá 300 veados e 300 javalis, é evidente que muito provavelmente ia ter problemas. E como se levavam os animais dali para fora? Não é um rebanho... Esta foi uma forma mais rápida de resolver um problema", lamenta Bernardino. 

Espaços privados só prestam contas do abate de animais no fim da época de caça
Sendo uma propriedade privada, os proprietários da herdade da Torre Bela não têm que "dar conta" das atividades de caça a priori: no fim da época, devem informar o ICNF do que foi abatido, explica o presidente da CNCP. De qualquer forma, Bernardino não crê que uma autorização fosse fácil. "A pandemia de covid-19 tem sido caracterizada por muitas dificuldades no exercício da caça. Lisboa e Vale do Tejo está sempre num risco muito elevado [de contágio]. Numa altura destas [sem a pandemia], não haveria um volume tão grande de animais, se a atividade cinegética fosse normal. Mas ainda que o ICNF possibilitasse fazer correção de densidades, não era o extermínio."


"É muito caro" alimentar uma população tão grande de animais na herdade, acrescenta. As fotografias das centenas de animais mortos foram publicadas num perfil de Facebook pertencente a uma espanhola, Virginia Rodríguez, que tem uma empresa de organização de caçadas, a Monteros de la Cabra - cujo site tem o endereço Hunting Spain Portugal. José Bernardino acredita que a carne dos animais já "tem destino" e gera lucro, pois "os espanhóis estão muito organizados na introdução da carne [dos animais caçados] na alimentação, têm empresas para o desmanche desta carne. Portugal não tem nenhuma."

"Não tenho dúvidas nenhumas que têm destino para a carne de todos aqueles animais", acrescenta José Bernardino. "É o objetivo daquilo. Não são recordes ou qualquer coisa do género."

A publicação nas redes sociais mencionava que 16 caçadores estiveram envolvidos na morte dos 540 animais. Para cada caçador, ou "porta", ficaram cerca de 34 animais. "O que será razoável por porta são cinco animais, uns três javalis, dois cervídeos... Não coisas destas", garante Bernardino. 

Os caçadores "não são aquilo". "É uma vergonha. Há quatro ou cinco dias entrámos na Assembleia da República com a contestação a dez projetos anti-caça" e, agora, surge esta polémica, lamenta. "Envergonha muita gente. Eticamente, é uma coisa desprezível."

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"Olhe, não chame caçada a isto." O desabafo é de José Bernardino, presidente da Confederação Nacional de Caçadores Portugueses (CNCP), confrontado com as imagens da caçada na herdade da Torre Bela, Azambuja, em que foram mortos 540 veados, gamos e javalis. "Isto de caçada não tem nada. Tem um objetivo único, o extermínio dos animais que lá estavam."

Na herdade privada, está prevista a instalação de um parque fotovoltaico explorado pelas empresas Neoen (através da CSRTB) e AuraPower. O estudo de impacte ambiental encontra-se em fase de consulta pública e, no documento, é apontada a presença de animais de caça, porque a Quinta da Torre Bela é uma tapada, e duas alternativas: a transferência dos animais para outro local ou o extermínio. "Será necessário encontrar uma solução para estes animais, dado que futuramente deixarão de ter habitat adequada dentro da Tapada, na zona que ficará ocupada pelos painéis", lê-se.

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"Olhe, não chame caçada a isto." O desabafo é de José Bernardino, presidente da Confederação Nacional de Caçadores Portugueses (CNCP), confrontado com as imagens da caçada na herdade da Torre Bela, Azambuja, em que foram mortos 540 veados, gamos e javalis. "Isto de caçada não tem nada. Tem um objetivo único, o extermínio dos animais que lá estavam."

Na herdade privada, está prevista a instalação de um parque fotovoltaico explorado pelas empresas Neoen (através da CSRTB) e AuraPower. O estudo de impacte ambiental encontra-se em fase de consulta pública e, no documento, é apontada a presença de animais de caça, porque a Quinta da Torre Bela é uma tapada, e duas alternativas: a transferência dos animais para outro local ou o extermínio. "Será necessário encontrar uma solução para estes animais, dado que futuramente deixarão de ter habitat adequada dentro da Tapada, na zona que ficará ocupada pelos painéis", lê-se.

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