Polícia Judiciária faz buscas na casa do cunhado do ministro Leitão Amaro
Ricardo Leitão Machado é o principal alvo das diligências que decorrem esta quinta-feira no âmbito da Operação Torre de Controlo, por suspeitas de corrupção e outros crimes na contratação de meios aéreos para o combate aos incêndios rurais.
A Polícia Judiciária desencadeou, nas primeiras horas desta manhã, uma operação de buscas relacionada com suspeitas de crimes de corrupção, entre outros, em concursos de aluguer de helicópteros para o combate aos fogos rurais. Este processo já teve, em março de 2025, uma primeira acção buscas, ficando conhecido por “Operação Torre de Controlo”.
De acordo com informações recolhidas pelo NOW, desta vez, o principal alvo destas novas buscas é Ricardo Leitão Machado, cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro. A casa do empresário, no Restelo, em Lisboa, está a ser alvo de buscas, assim como empresas e pessoas a si ligadas
Ricardo Leitão Machado é dono da empresa Gesticopter, que ganhou concursos para o aluguer de helicópteros. Apesar de tal ter acontecido antes da entrada formal do empresário no capital da empresa, através da compra de outra sociedade que a detinha, a Gestifly, a Judiciária suspeita que o mesmo, há muito, a controlava. Por sua vez, o irmão de António Leitão Amaro era diretor de operações da Gesticopter.
Em março de 2025, num comunicado, a Polícia Judiciária referiu que, nesta investigação, estão em causa “crimes corrupção ativa e passiva, burla qualificada, abuso de poder, tráfico de influência, associação criminosa e de fraude fiscal qualificada, através de uma complexa relação, estabelecida pelo menos desde 2022, entre várias sociedades comerciais, sediadas em Portugal, e que têm vindo a controlar a participação nos concursos públicos no âmbito do combate aos incêndios rurais em Portugal, no valor de cerca de 100 milhões de euros”.
“Estes concursos públicos incidem na aquisição de serviços de operação, manutenção e gestão da aeronavegabilidade dos meios aéreos próprios do Estado, dedicados exclusivamente ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), com a intenção de que o Estado português fique com carência de meios aéreos e, dessa forma, se sujeite aos subsequentes preços mais elevados destas sociedades comerciais”, acrescentou a Judiciária.
Por sua vez, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) acrescentou que, na altura, foram constituídas arguidas sete pessoas singulares e cinco empresas.