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Morreu o historiador e diretor da Biblioteca Nacional Diogo Ramada Curto

Diogo Barreto 11 de abril de 2026 às 23:08

O professor catedrático tinha 66 anos e estava à frente da Biblioteca Nacional desde abril de 2024.

Morreu, aos 66 anos, Diogo Ramada Curto, professor unveirsitário, historiador e atualmente a servir como diretor da Biblioteca Nacional. A notícia é avançada pelo jornal , onde era colunista.

Diogo Ramada Curto, historiador e diretor da Biblioteca Nacional, faleceu Miguel Baltazar/Jornal de Negócios

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, escreveu nas redes sociais: "É com profundo pesar que nos despedimos de Diogo Ramada Curto. À frente da Biblioteca Nacional de Portugal, exerceu funções com dedicação e sentido de serviço público, contribuindo para a valorização de uma instituição central da cultura portuguesa. O seu trabalho marcou a cultura, o pensamento histórico e a vida académica em Portugal".

O historiador e professor catedrático Diogo Ramada Curto foi nomeado em regime de substituição para o cargo de diretor-geral da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) em abril de 2024, depois de o lugar ter sido deixado vago Maria Inês Cordeiro, pelo termo da comissão de serviço, seguida da sua aposentação.

Diogo Ramada Curto, nascido em Lisboa, em 1959, foi professor catedrático no Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-Nova), onde se licenciou em História, se doutorou em Sociologia Histórica, e lecionou nos departamentos de Sociologia e História.

Foi professor visitante em diferentes instituições de ensino superior, como a École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, França, a Universitat Autònoma de Barcelona, em Espanha, a Brown University e a Yale University, nos Estados Unidos, e a Universidade de São Paulo, no Brasil.

Entre 2000 e 2008, ocupou a Cátedra Vasco da Gama em História da Expansão Europeia do Instituto Universitário Europeu, em Florença.

O trabalho de investigação desenvolvido pelo diretor-geral da BNP privilegia três áreas --cultura escrita e intelectual, impérios e colonialismo, e cultura política -, somando dezenas de títulos e artigos dedicados a temas como globalização, história global e história dos impérios, história das ideias políticas, história da escravatura ao trabalho forçado, assim como a abordagem do livro e da leitura, na perspetiva da Sociologia Histórica.

Entre as suas mais recentes obras estão Um país em bicos de pés - Escritores, artistas e movimentos culturais (Edições70, 2023), e O colonialismo português em África - De Livingstone a Luandino (Edições70, 2020).

Em 2014, foi distinguido com o Prémio PEN Clube na categoria de Ensaio com o livroPara que serve a história?(Tinta da China, 2013) e, em 2015, com o Prémio Jabuti (coletivo) atribuído à obraO Brasil colonial(Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2014).

Entre as obras de Ramada Curto contam-se igualmentePolíticas coloniais em tempo de revoltas - Angola circa 1961, em coautoria com Teresa Furtado e Bernardo Pinto da Cruz (Afrontamento, 2016),Cultura imperial e projectos coloniais, séculos XV-XVIII(Campinas, Unicamp, 2009), eBibliografia da História do Livro em Portugal(BNP, 2005).

Foi cofundador e diretor da coleção "Memória e Sociedade" da antiga editora Difel, que somou quarenta títulos de história e ciências sociais entre 1988 e 2005, e de "História e Sociedade", nas Edições70 do Grupo Almedina, com 24 títulos, desde 2010, com Nuno Domingos e Miguel Jerónimo. É coorganizador deA Expansão Marítima Portuguesa. 1400-1800(Edições70, 2010).

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