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Está tudo em aberto mas PS deve começar por negociar com PCP e BE, dizem politólogos

07 de outubro de 2019 às 02:59

Ainda está tudo em aberto devido ao reforço do PAN e novos partidos no parlamento.

O Partido Socialista vai ter como estratégia inicial "ensaiar compromissos" com PCP e BE, mas ainda está tudo em aberto devido ao reforço do PAN e novos partidos no parlamento, segundo politólogos contactados pela Lusa.

"O que será seguramente a estratégia de António Costa será encetar negociação formais ou informais com os partidos que até agora apoiaram o seu Governo, como o BE e PCP", disse à agência Lusa António Costa Pinto, investigador coordenador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), acrescentando que isso "será do interesse do PS".

Com o resultado destas eleições, sustentou António Costa Pinto, o PS sai como partido maioritário o que "aumenta a margem de manobra para decidir a formação de Governo" e, simultaneamente, "ensaiar negociações para acordos parlamentares com os partidos à sua esquerda".

Segundo o investigador, estes acordos "podem não passar por compromissos escritos".

António Costa Pinto sublinhou também que existe expectativa sobre o que o Presidente da República vai dizer, considerando que a preocupação de Marcelo Rebelo de Sousa "será de encontrar soluções que deem garantias de estabilidade política para os próximos anos".

O investigador do ICS-UL frisou que nestas eleições legislativas não existiu o "voto útil", tanto à direita, como à esquerda.

"À direita houve uma recuperação eleitoral do PSD por parte de Rui Rio, retirando do chamado abstencionismo intermitente uma parte do eleitorado do PSD que se preparava para se abster, perante a vitória anunciada do PS", disse.

Este politólogo adiantou que, à esquerda, existiu a tendência que confirmou "a ideia de que o eleitorado de esquerda gostou da 'geringonça'" e dos compromissos feitos nos últimos quatro anos e "fez com que o PS não obtivesse voto útil à esquerda do seu próprio eleitorado".

"Isso foi claro na sobrevivência do PCP, apesar de ter diminuído um pouco, e foi claro também no BE, que manteve no fundamental os resultados eleitorais de 2015", afirmou.

Por sua vez, a também investigadora do ICS-UL Marina Costa Lobo destacou à Lusa o reforço do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) e a entrada no parlamento do Livre, Iniciativa Liberal e Chega.

"Temos alguma fragmentação adicional, isto deixa tudo em aberto para António Costa poder negociar um Governo de coligação ou de incidência parlamentar", notou.

Marina Costa Lobo considerou que António Costa vai começar por falar com os maiores partidos de esquerda, a CDU e o Bloco de Esquerda, que foram os seus parceiros nos últimos quatro anos, sendo essa "a sua disposição geral", mas alertou que "é demasiado cedo".

"Não quero fazer prognósticos sobre isso, ainda está tudo demasiado em aberto. Não houve maioria absoluta, o que é um sinal que a campanha não correu particularmente bem ao PS, há um reforço, mas não há um enorme aumento e também não há um enorme aumento do BE e a CDU perde bastante", sustentou.

Nesse sentido, salientou que a 'geringonça' vai ter que pensar "um pouco como é que pode garantir a estabilidade daqui para frente", uma vez que "não há soluções evidentes e há coisas novas" na Assembleia da República.

Marina Costa Lobo afirmou ainda que o reforço do PAN e entrada do Iniciativa Liberal, Chega e Livre significa um "descontentamento com os partidos tradicionais".

"Os eleitores portugueses eram conservadores relativamente com as suas escolhas partidárias e aqui vemos que os eleitores portugueses estão a aventurar-se um pouco com os novos partidos. Esta foi a eleição com mais partidos de sempre e vemos que as pessoas estão a responder à nova oferta partidária", disse, frisando que isto pode levar a que mais pessoas passem a interessarem-se pela política e que será "uma mudança importante".

O PS venceu as eleições legislativas de domingo com 36,65% dos votos e 106 deputados eleitos, quando falta atribuir os quatro mandatos da emigração, segundo os resultados finais provisórios

De acordo com dados da Secretaria-Geral do Ministério de Administração Interna, o PSD foi o segundo partido mais votado, com 27,90% dos votos e 77 deputados.

Elegeram ainda deputados para a Assembleia da República BE (9,67% dos votos e 19 deputados), CDU (6,46% e 12 deputados), CDS-PP (4,25% e 5 deputados), PAN (3,28% e 4 deputados), Chega (1,30% e 1 deputado), Iniciativa Liberal (1,29% e 1 deputado) e Livre (1,09% e 1 deputado).

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