Os amigos nunca são responsáveis
Nuno Tiago Pinto Chefe de redação
12 de junho

Os amigos nunca são responsáveis

A culpa por Fernando Medina não perceber o que é a responsabilidade política pode não estar nele próprio mas em António Costa, que segura os aliados até ao limite.

Portugal tornou-se no país onde todos assumem facilmente a responsabilidade por alguma coisa porque sabem que não vão ser verdadeiramente responsabilizados por nada. O Estado onde se pensa que um pedido de desculpas chega para deitar tudo para trás das costas desde que se tenha as costas largas o suficiente – e se não chegar, manda-se fazer uma auditoria ou um inquérito cujos efeitos se perderão na espuma dos dias.

Todos sabemos que não foi Fernando Medina a enviar à embaixada e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros russos os dados pessoais dos três organizadores da manifestação em defesa dos direitos do dissidente russo Alexey Navalny. Tal como não foi Jorge Coelho quem deixou deteriorar os pilares da ponte de Entre-os-Rios. Ou Leonor Beleza quem fez as transfusões com plasma contaminado com HIV na década de 1980.

Mas ao contrário destes últimos, e de quem liderava os governos de então, Fernando Medina finge não perceber que existe algo a que se chama de responsabilidade política. Que faz com que, apesar de o presidente da Câmara de Lisboa não ser responsável jurídico pelo envio desses dados a quem não os devia receber, o torna responsável político pela irresponsabilidade de quem os enviou.

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