Marcelo, o cravo e a ferradura
Eduardo Dâmaso Director
12 de março

Marcelo, o cravo e a ferradura

O Presidente da República iniciou o mandato presidencial mais importante da história da nossa democracia com um significativo suspense político.

Pela primeira vez, Marcelo Rebelo de Sousa não apareceu perante o País a justificar a prorrogação de mais um período de estado de emergência e deixou o palco para António Costa defender o seu plano de desconfinamento. Seria natural que assim fosse se, um e outro, não tivessem criado outra práxis ao longo do ano que passou, em nome da unidade e coesão institucional. Antes, Marcelo consentiu que se especulasse o mais possível com as suas alegadas divergências sobre o plano do Governo e com um jantar, em Belém, com o primeiro-ministro sobre a questão.

O Presidente da República também não foi muito rápido a desfazer as especulações, em particular sobre a coincidência de viajar para Itália no mesmo dia em que Costa apresentava os traços gerais do desconfinamento.

Pelo contexto dos últimos dois dias, Marcelo talvez tenha sentido a alfinetada que o primeiro-ministro lhe deu na conferência de imprensa, ao dizer que ele próprio não foi fonte das notícias sobre o tema e, seguramente, sublinhou, o Presidente também não teria sido. Tratando-se, portanto, "de uma especulação". Costa escolheu as palavras com precisão e intencionalidade. E Marcelo veio a pública na manhã de hoje desfazer os equívocos sobre o que pensa do plano de desconfinamento do Governo, considerando-o "cuidadoso" e "flexível".

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