Desconfinar com os olhos em Itália
Eduardo Dâmaso Director
18 de março

Desconfinar com os olhos em Itália

Não tenhamos ilusões: vai ser muito difícil regressar à normalidade que tínhamos em 2019, em grande parte devido ao prolongamento desta anormalidade pandémica, mas também porque os sinais que vêm da política e dos órgãos de soberania não são animadores

Finalmente começamos a desconfinar, mas sem grandes razões para um otimismo excessivo. Retomar alguma normalidade na nossa vida e voltar a ter pequenos prazeres tão significativos nos dias que correm, como tomar um café na rua e comprar um livro, é uma verdadeira dádiva celestial, mas não deve desviar-nos daquilo que é essencial. E o essencial é termos consciência dos perigos que nos rodeiam e nos acompanham já de forma irreversível. Do risco sanitário de uma nova vaga da doença ao estertor económico e empobrecimento coletivo, tudo vai deixar uma marca profunda nas nossas vidas. O pior está na outra pandemia que segura as rédeas de tudo isto: o medo instalou-se e domina.

O medo domina um Governo e um Presidente que têm feito a pedagogia do combate à crise, mas falharam redondamente, até agora, na preparação do País para saber viver com o vírus, sem necessitar de andar permanentemente neste poço da morte do confinamento/desconfinamento. O medo paralisa-os, em particular depois do erro trágico do Natal, e agora não sabemos senão viver entre os excessos de nos trancarmos em casa ou na angústia da plenitude, de cada vez que saímos à rua, a sorver toda a liberdade que podemos, não vão ser esses os últimos segundos de bem tão precioso.

Saímos deste confinamento exaustos, com um País fraturado, o futuro comprometido, os mais velhos fechados a sete chaves em hospitais e lares. Com os jovens a pagar a pesada e dupla fatura de um Ministério da Educação totalmente incapaz de dar condições às escolas e de verem o emprego por um canudo.

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