Os profissionais da carta aberta
Eduardo Dâmaso Director
04 de março

Os profissionais da carta aberta

A intervenção cívica destes profissionais do abaixo-assinado ou da carta aberta seria boa se fosse séria. Mas não, ela representa o que qualquer Governo mais adora. É uma expressão da “sociedade civil”, representa os profetas da respeitabilidade crítica, por “construtiva”, eufemismo cada vez mais em voga para traduzir subserviência e lambe-botismo

Um ano depois do início da pandemia, estamos muito longe de ver a luz ao fundo do túnel. A escuridão persiste na nossa vida. Permanecemos entalados entre o estupor da surpresa letal e da esperança ainda ténue, trazida pela vacina. Paralisados pelo medo mas, também, pelos riscos dos excessos de confiança.

Fomos surpreendidos há um ano por uma pandemia que avançou pelo mundo à velocidade da luz, apanhando-o desprevenido, alimentando-se de sofrimento e morte, limitando a liberdade coletiva através de uma diabólica aliança entre métodos medievais, como as cercas sanitárias ou o confinamento, e a tecnologia moderna, com os rastreios tecnológicos e a intrusão brutal na privacidade de cada um.

Os Estados aumentaram muito o seu poder. E os cidadãos ficaram ainda mais fragilizados perante a administrativização permanente da política e das formas de governo. Mais do que nunca, a lei transformou-se num instrumento poderosíssimo de domesticação da consciência, indutor da resignação e potenciador do medo. Transformou-se, também, num escudo ainda mais forte das polícias de manutenção da ordem pública, como a PSP e a GNR, provando que, se não forem dirigidas com rigor democrático e escrutínio permanente, interno e externo, podem facilmente transformar-se na guarda pretoriana de lideranças perigosamente musculadas.

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