O T3 de Paris e o tríplex do Guarujá
Carlos Rodrigues Lima Subdiretor
06 de fevereiro de 2018

O T3 de Paris e o tríplex do Guarujá

Nos últimos anos, o mercado imobiliário tem funcionado como um dos principais motores da Economia, seja ela legal ou subterrânea. Mas se, há uns anos, era um orgulho ser dono de uma casa, há quem prefira apenas viver lá, não se importando com a propriedade do imóvel.

Está por explicar o fascínio que algumas figuras de esquerda têm pelo imobiliário. Será uma deriva à direita, uma cedência à tentação da propriedade privada e de todos os vícios que a acompanham? Um dia, uma universidade ou instituto qualquer ainda há-de produzir um "estudo científico" sobre este importante tema para gáudio das redes sociais. Mas, até esse dia chegar, convém sublinhar um conflito interno naquele fascínio, com o exemplo de duas figuras da esquerda moderna: é que se, por um lado, a ideia de ter um casarão agradou a José Sócrates e a Lula da Silva, por outro, ambos os políticos tiveram uma profunda aversão ao Registo Predial.
Desfrutaram dos respectivos imóveis como se fossem seus, mas nenhum estava em seu nome. É este conflito que a doutrina da esquerda moderna, um dia, terá que resolver: afinal, o que é a propriedade privada para um tipo da esquerda moderna?

Entre Lula da Silva, condenado a 12 anos de cadeia, e José Sócrates, apenas acusado de 31 crimes na Operação Marquês, há várias semelhanças na forma como ambos encaram a propriedade privada. Ambos a negam, mas o problema, começando por Lula, é que, ao contrário do sistema judicial de um País da União Europeia, no Brasil, esse antro de corrupção, é possível consultar e ler os processos online, nessa coisa moderna que se chama Internet e cuja utilização pode ir além da visualização dos novos vídeos da casa dos youtubers.

E lá estão as provas que o comentarismo diz não existirem: as relações entre a OAS (empresa que ofereceu o apartamento) e a Petrobrás (a sociedade que está no centro do escândalo Lava Jato), os depoimentos sobre as comissões pagas, mais a percentagem para os políticos, as obras de remodelação do tríplex, as visitas da mulher de Lula e do filho, e ainda o facto de os vendedores imobiliários apregoarem o local como o condomínio onde morava o Lula.

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