Uma quantidade crescente de pessoas está mais disposta a distinguir presença de exposição, visibilidade de autenticidade.
A transformação digital que estamos a viver é provavelmente uma das maiores transformações da história da humanidade. Não admira, por isso, a intensidade do debate sobre os seus impactos no nosso funcionamento psicológico e na forma como nos relacionamos uns com os outros. Uma das vertentes desse debate envolve as repercussões das redes sociais em diversas dimensões, desde o desenvolvimento humano até à polarização e ao extremismo, com efeitos que ultrapassam claramente o espaço digital.
Temos hoje vários indicadores da magnitude do fenómeno junto dos mais novos (ainda que, se calhar, pudéssemos começar pelos adultos!): dois terços utilizam o smartphone nos tempos livres; um em cada quatro passa mais de seis horas por dia nas redes sociais; quase metade das crianças e adolescentes dedica mais de duas horas diárias a ver ou publicar conteúdos em plataformas digitais. Para uns, as redes sociais funcionam também como estratégia de evitamento emocional, uma forma de não se confrontarem com as emoções mais dolorosas. Para outros, as redes podem servir como espaço para se encontrarem com pares com quem se identificam, servindo esse espaço como um veículo de conexão.
De todos os tipos de fenómenos que têm sido identificados nas redes, há um que tem especial interesse, por ser uma espécie de contracorrente: não publicar nada nas redes sociais, ou então publicar raramente ou apenas de forma muito restrita para um conjunto de pessoas (isto é, existe uma presença online, mas muito pouco visível). Há quem designe este fenómeno de posting zero. Em suma, trata-se de pessoas que, mesmo que tenham um perfil, não publicam nada ou não se envolvem num registo de publicação sistemática de conteúdos sobre a sua própria vida - ou a dos outros. Desconhecemos nesta ocasião números específicos sobre a escala deste fenómeno, pelo que se trata sobretudo de uma observação empírica do facto de haver pessoas que, de formas distintas, recusam uma lógica de exposição contínua.
As explicações para este comportamento são várias e provavelmente complementares. Uma das mais evidentes é a vontade de proteger a privacidade e evitar a sobreexposição, num ambiente em que cada publicação parece exigir validação e se torna facilmente objeto de julgamento dos outros. Além disso, a pressão para transformar a própria vida em conteúdo e apresentar uma determinada imagem pública também cansa e a recusa desse padrão pode surgir como forma de alívio. Para outros, o afastamento da exposição é também uma forma de afirmação da sua própria identidade e de recusa da captura por um determinado padrão de presença digital. E há, naturalmente, quem também tenha uma maior compreensão do que são e de como funcionam as redes sociais e dos custos da presença constante. E há, por fim, uma dimensão que pode apontar para uma mudança mais ampla: a ideia de que o novo luxo ou uma certa diferenciação é ter uma vida que não está continuamente a ser exposta nas redes sociais. No fundo, num ecossistema de disputa desenfreada pela atenção, trata-se da liberdade de escolher ser menos visível e mais real.
Mais do que a criação de uma nova categoria ou tipologia, o que o posting zero nos poderá sinalizar é, na prática, uma mudança na forma como muitas pessoas se relacionam com as redes sociais. Certamente que continuaremos online, em grande número e durante muito tempo. Mas uma quantidade crescente de pessoas está mais disposta a distinguir presença de exposição, visibilidade de autenticidade. Num momento em que debatemos os impactos das redes sociais na saúde mental e na coesão social, este fenómeno lembra-nos que as pessoas não têm de ser apenas alvos passivos dessas dinâmicas. São também capazes de as recusar, reconfigurar e, à sua maneira, resistir.
A exposição continuada ao ruído do trânsito, de obras, da vizinhança ou dos aviões, como se verifica ostensivamente em cidades como Lisboa, é um stressor ambiental crónico, que ativa o sistema de resposta do organismo, levando à libertação prolongada de cortisol e a estados persistentes de alerta.
Os adolescentes - e os adultos - estão demasiado tempo no ecrã? Sim, estão. Mas normalmente, quando têm alternativas mais interessantes para fazer, escolhem-nas. Talvez o desafio social que temos não seja apenas o de regular tempos de ecrãs, mas também o de criar uma cultura em que as pessoas se mexem
A experiência da Ordem dos Psicólogos (OPP) mostra que a nova lei veio sobretudo criar mais camadas burocráticas, novas regulamentações e, na prática, introduzir complexidade e entropia. Isso está cada vez mais evidente em várias esferas, incluindo no que se passa ao nível do tal acesso que era preciso melhorar.
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