A exposição continuada ao ruído do trânsito, de obras, da vizinhança ou dos aviões, como se verifica ostensivamente em cidades como Lisboa, é um stressor ambiental crónico, que ativa o sistema de resposta do organismo, levando à libertação prolongada de cortisol e a estados persistentes de alerta.
Desde a pessoa que está ao nosso lado a expor o mundo às suas preferências musicais ou aos seus vídeos cómicos, aos aviões que passam por cima das nossas cabeças, passando pelas buzinas daqueles que presumem existir uma correlação positiva entre buzinar e a progressão do trânsito, estamos continuamente expostos ao ruído. E se, durante muito tempo - e ainda hoje - o ruído foi encarado apenas como um desagradável incómodo do quotidiano, a evidência científica mostra-nos um cenário bem diferente. A exposição ao ruído é um fator ambiental significativo para a nossa saúde e deve ser abordado como uma questão de saúde pública.
A exposição continuada ao ruído do trânsito, de obras, da vizinhança ou dos aviões, como se verifica ostensivamente em cidades como Lisboa, é um stressor ambiental crónico, que ativa o sistema de resposta do organismo, levando à libertação prolongada de cortisol e a estados persistentes de alerta. Este processo interfere com a capacidade de descansar e recuperar, afetando ritmos biológicos essenciais e, constituindo, por isso, um fator de risco acrescido para a ansiedade, a depressão, a irritabilidade e as dificuldades de regulação emocional.
Os efeitos do ruído, que integram um conjunto mais amplo de fatores ambientais adversos - poluição, falta de espaços verdes, sobrecarga urbana - contribuem tanto para o desencadeamento de sintomas como para a sua manutenção ao longo do tempo. Em pessoas com maior predisposição para a ansiedade ou a depressão, viver num ambiente desfavorável pode funcionar como fator de precipitação ou de agravamento.
Apesar desta evidência, o impacto do ruído continua amplamente subvalorizado. Socialmente, tende a ser normalizado, encarado como parte inevitável da vida urbana. Esta normalização contribui para a falta de consciência sobre os seus efeitos
cumulativos. As intervenções psicológicas e sociais também não costumam considerar os fatores ambientais de forma sistemática, centrando-se, tradicionalmente, a atenção em variáveis individuais, biológicas e psicológicas. Quando os mesmos problemas afetam grandes grupos populacionais, torna-se, no entanto, evidente que é necessário olhar para além do indivíduo e considerar os determinantes sociais e ambientais da saúde mental.
Mais do que um incómodo com que temos de lidar, o ruído é um poderoso fator que, associado a outros fatores, age cumulativamente sobre o nosso bem estar psicológico e a nossa qualidade de vida. Reconhecê-lo e agir em conformidade é um passo essencial para promover ambientes mais saudáveis e proteger a saúde mental.
Em menos de uma semana terá início o 7.º Congresso dos Psicólogos Portugueses, que acontece num tempo de transformação acelerada, marcado por profundos desafios sociodemográficos, políticos, tecnológicos e ambientais.
A exposição continuada ao ruído do trânsito, de obras, da vizinhança ou dos aviões, como se verifica ostensivamente em cidades como Lisboa, é um stressor ambiental crónico, que ativa o sistema de resposta do organismo, levando à libertação prolongada de cortisol e a estados persistentes de alerta.
Os adolescentes - e os adultos - estão demasiado tempo no ecrã? Sim, estão. Mas normalmente, quando têm alternativas mais interessantes para fazer, escolhem-nas. Talvez o desafio social que temos não seja apenas o de regular tempos de ecrãs, mas também o de criar uma cultura em que as pessoas se mexem
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.