A guerra dos 40 anos no Médio Oriente
Paulo Batista Ramos
20 de abril

A guerra dos 40 anos no Médio Oriente

O ano 2021 ficará marcado por uma autorresponsabilização das principais potências do Médio Oriente, algo que todos as elites políticas regionais intuitivamente desejavam retardar. Porque apesar da repulsa que todas nutrem em relação ao Ocidente, era sempre mais fácil quando se encontravam os EUA, mesmo à mão de semear, para culpar pelos falhanços e caos na região.  

Pelo anúncio da Administração Biden, da retirada militar dos EUA-OTAN do Afeganistão no dia 11 de setembro e com o, mais do que provável, regresso dos EUA ao acordo nuclear com o Irão, o ano de 2021 poderá ficar marcado pelo fim de 40 anos de intervenção militar indireta e direta de Washington no Médio Oriente.

Na conferência de Guadalupe, realizada no início de janeiro de 1979, o POTUS Jimmy Carter inaugurava o período de envolvimento e intervenção da América nos assuntos do Médio Oriente. A doutrina Carter afirmava que qualquer tentativa de controlar o Golfo Pérsico iria obter a reação dos EUA, como se fosse um ataque aos interesses norte-americanos.

A luz verde saída dessa conferência, entre EUA, França, Reio Unido e Alemanha Ocidental, para o afastamento do Xá do Irão e o apoio ao fanatismo xiita de Khomeini em detrimento do "xiismo vermelho", legado do académico Ali Shariati (falecido em 1977), iria ditar os contornos do xadrez político regional até aos dias de hoje. 

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