Demasiado tempo livre
Paula Cordeiro
20 de julho

Demasiado tempo livre

Não acho que tenhamos demasiado tempo livre - embora existam por aí alguns que estão claramente com tempo livre a mais - mas defendo que ocupamos, muito mal, o pouco tempo livre que temos.

Temos demasiado tempo livre. Todos, e eu estou incluída nesse grupo, porque inevitavelmente acabamos  por  conseguir passar umas horas a espreitar a vida dos outros nas redes sociais, a falar sobre a sua vida, a exibir coisas bonitas ou a mostrar o seu trabalho. Ou simplesmente, sentados no  sofá a olhar a vida através de um outro ecrã, o da televisão. Exagerada, eu? Não. Inconveniente? Talvez.

Agora que tenho a vossa atenção, passo a explicar. Eu não acho que tenhamos demasiado tempo livre - embora existam por aí alguns que estão claramente com tempo livre a mais - mas defendo que ocupamos, muito mal, o pouco tempo livre que temos. Estamos envolvidos nessa necessidade de estar presentes, de fazer parte, ou a tentar resistir, escapando à realidade de todos os dias através do que televisão tem para mostrar. Seja o que for, são quase sempre opções que contribuem para o paradigma mais paradoxal de sempre: o da liberdade da sociedade moderna, presa nos limites que essa liberdade auto-impõe.

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