O ministro demite-se, consta, se a auditoria lhe encontrar erro político. Só nessa condição. Marca-se uma época especial lá para setembro, cobra-se a reapreciação à parte e pede-se desculpa. Avancemos. É isso que sabemos fazer. Avançar. Confiamos muito, vivemos na certeza tranquila de que vai correr bem, e por isso não testamos, não verificamos, não ensaiamos para evitar o desastre.
O problema é sempre a tecnologia, nunca as pessoas mas o problema são as pessoas. As que desenvolvem a tecnologia, as que a testam, implementam e, no fim da linha, as pessoas que as usam. E quando tudo falha, é fácil apontar o dedo à tecnologia mas se a utilizamos sem olhar o livro de instruções, a responsabilidade é de quem?
A culpa, ficámos a saber, é da tecnologia. Nunca das pessoas. Este ano, pela primeira vez, corrigiram-se os exames nacionais em formato digital, e o sistema falhou, ao que consta, de todas as maneiras que um sistema pode falhar. Foi a tecnologia?
Há quem aponte o dedo às pessoas. As mesmas que, ao que se sabe, convocaram professores de outras disciplinas, reformados, docentes já falecidos. As mesmas que permitiram que se contassem respostas cortadas a meio, folhas trocadas, provas que chegavam com a resposta de outro aluno. A digitalização, dizem, fez-se escola a escola, à mão, folha a folha, num scanner qualquer, e não de forma centralizada com os equipamentos que, ao que se sabe, foram comprados para esse fim. Porque razão não foram usados? Ter-se-á trocado o que funcionava por uma modernização para a qual ninguém preparou ninguém. E, quando tudo ruiu, a culpa foi do scanner. Ou de quem usou o scanner? Em qualquer dos casos, o problema é a tecnologia, muito embora o problema sejam as pessoas, sobretudo os únicos que não decidiram nada: os alunos. Numa fase da vida que fica entre a adolescência, e a responsabilidade de decisões de idade adulta, vivem uma escolha que se faz demasiado cedo. Desta vez, além da escolha, estão sem saber se a nota que os define é a nota que realmente alcançaram. Para uns, a classificação subiu depois da prova corrigida, para outros, desceu. O que é isto? Uma geração inteira à frente do telemóvel a atualizar uma página, à espera de um número sem saber se pode confiar. Se não confiamos numa instituição como esta, confiamos em quê? A vida tem vários caminhos, a universidade é apenas um deles. Sabemos, contudo, como o mundo funciona e, para alguns, o acesso à universidade é determinante. Estão no seu direito de fazer essa escolha e de poder contar com um processo que lhes assegure esse acesso. As candidaturas ao superior abriram a conta-gotas, uma sombra das do costume. Não é desconfiança, faltam as notas para que muitos alunos se possam candidatar.
O ministro demite-se, consta, se a auditoria lhe encontrar erro político. Só nessa condição. Marca-se uma época especial lá para setembro, cobra-se a reapreciação à parte e pede-se desculpa. Avancemos. É isso que sabemos fazer. Avançar. Confiamos muito, vivemos na certeza tranquila de que vai correr bem, e por isso não testamos, não verificamos, não ensaiamos para evitar o desastre. A tecnologia não falhou. Falhámos nós. A tecnologia obriga a ler as instruções antes de usar. Já não estamos a armar caravelas para descobrir o mundo. Temos o mundo na palma da mão e continuamos sem saber o que lhe fazer. Imprudente. E insustentável.
O ministro demite-se, consta, se a auditoria lhe encontrar erro político. Só nessa condição. Marca-se uma época especial lá para setembro, cobra-se a reapreciação à parte e pede-se desculpa. Avancemos. É isso que sabemos fazer. Avançar. Confiamos muito, vivemos na certeza tranquila de que vai correr bem, e por isso não testamos, não verificamos, não ensaiamos para evitar o desastre.
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O verdadeiro luxo deixou de ser o fio de água da piscina a perder-se no mar. É alguém que se lembra. Só que lembrar-se exige conhecer, conhecer exige tempo, e tempo é precisamente aquilo que um hotel com muitos quartos não tem para dar.
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