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Pode estar fora de moda, mas, como Mário Soares também dizia, um político assume-se. Eu sou socialista e este artigo não é sobre as eleições – é um remédio para um dos seus sintomas. É o elogio que o socialismo merece.
Esta eleição não é sobre socialismo. É sobre liberdade,
estabilidade, esperança, experiência, sensatez, unidade, e tantas outras
virtudes políticas que devemos festejar com um maciço mandato de confiança a António
José Seguro.
Por muito que alguns queiram
fazer esta eleição sobre socialismo, ela não o será. Seguro nem é o Che Guevara
de Penamacor, nem é um homem sem convicções. Pelo contrário, ele é conhecido
por momentos em que mostrou a sua fibra, desde Timor à lei do financiamento dos
partidos, e por outros onde mostrou a sua moderação.
Isto não é sequer novidade numa
campanha onde Seguro quando muito foi criticado por não se querer colocar em
gavetas. Por ser um construtor de pontes nato, desde o início que percebeu a
importância de poder representar aqueles que hoje se designam
“não-socialistas”.
Mas lá porque não cabe a Seguro o
papel de defender o socialismo, os socialistas não podem simplesmente comer e
calar quando querem tornar ser-se socialista numa espécie de lepra. Não podemos
permitir, muito menos por falta de comparência, a consolidação do PS como
malfeitor do nosso período democrático ou da ideia do socialismo como bicho
papão, equiparado ao comunismo. A este ritmo, ainda comemos crianças ao
pequeno-almoço.
Pode estar fora de moda, mas,
como Mário Soares também dizia, um político assume-se. Eu sou socialista e este
artigo não é sobre as eleições – é um remédio para um dos seus sintomas. É o
elogio que o socialismo merece.
A primeira pergunta a colocar é de
que “socialismo” falam. Para o gongórico Nuno Melo, até o Chega é socialista.
Para Ventura, socialista é todo o período desde o 25 de abril. Faz lembrar
aqueles comunistas enrijecidos para quem até o PS era de direita. Deve ser
muito chato ver o mundo de uma cor só, mas se o socialismo é esta democracia
onde podemos falar livremente, propor diferente, então que belo “sambinha de
uma nota só” nos saiu.
Se, no segundo seguinte
socialismo já é Venezuela, Coreia do Norte, Cuba, e todo o leque de estados
falhados – se já mata, se já destrói – podemos começar pelo facto de terem sido
os socialistas os primeiros a ser atacados por esses regimes, a começar pelos
mencheviques na Rússia soviética. Podemos falar de semelhantes feitos numa longa
lista de estados autoritários de direita ou paraísos neoliberais que cedo se
tornaram um inferno de violência e de miséria.
Mas talvez o mais simples seja
reafirmar que há quase 150 anos que se distinguem os reformistas e os
revolucionários, não só na forma como querem chegar ao poder e exercê-lo, mas
também na forma como encaram a iniciativa privada e nos objetivos tão bem
resumidos na dicotomia de Olof Palme – não acabar com os ricos, mas acabar com
os pobres.
E se passarmos à frente e nos focarmos
nos socialistas portugueses? O que terão feito esses vilões da banda desenhada?
O salário mínimo, a construção do SNS, o alargamento da escola pública, os
computadores para os miúdos, as creches e os manuais gratuitos, a aposta nas
energias renováveis? A lei da paridade, a descentralização para os municípios,
o fim das subvenções vitalícias? 10 anos de crescimento económico e dos
salários, em que voltámos a ultrapassar países do Leste e em que obtivemos os
primeiros superavits da história da democracia? Ah, não, ainda queres falar
sobre a descolonização? Ou da patranha das 3 bancarrotas, das quais duas foi
Mário Soares quem teve que salvar o país da situação onde outros o colocaram.
O PS não fez tudo e não fez tudo
bem, mas nem o país mais rico com a democracia mais avançada consegue resolver
os seus problemas todos. A história do progresso económico, social e político
do nosso país é escrito, em larga medida, por impulsos dos malvados
socialistas. Nem por um segundo me vão convencer a ter vergonha no que o PS fez
e no que lhe proporcionou tantas vitórias eleitorais nos últimos 30 anos.
Quando isto que realmente importa
não convém, fala-se de outras coisas, não menos importantes. Como tenho ouvido
a potes em debates, para os eleitos do CHEGA os socialistas são todos corruptos
que metem boys e pedófilos no poder. O único socialista que foi julgado por
pedofilia foi ilibado e indemnizado. Veremos o que acontece a Nuno Pardal
Ribeiro. Infelizmente, pessoas más e más práticas há em todos os partidos e,
aliás, todos os locais de poder. O CHEGA acaba de colocar no gabinete do
Presidente da Câmara de Albufeira a sua própria
irmã, no gabinete da Assembleia Legislativa Regional da Madeira a ex-mulher
do deputado Francisco Gomes. Em Lisboa, nem têm a Câmara e já distribuem
empregos. Será que agora também são “tachos” e “boys” ou apenas acham que é a sua
vez de estar na cozinha?
Isso não iliba o PS de sancionar
os infratores dentro do seu partido. Ao contrário do atual Governo, onde os
casos se acumulam sem que ninguém seja responsabilizado, eu lembro-me bem de
governantes do PS, incluindo o próprio António Costa, que se demitiram porque
não se admitia que as funções executivas fossem manchadas por qualquer tipo de
suspeição. 2 anos depois, a operação Influencer ainda não avançou mas, por
exemplo, Miguel
Alves já foi absolvido. Talvez seja ocasião para recordar que também foi o
PS a aprovar os 2 pacotes de legislação anti-corrupção, em 2001 e 2021 e a
dotar a PJ e o MP dos recursos técnicos e humanos para reforçar o combate a
esta criminalidade.
Podem tentar fazer desta eleição
um julgamento ao socialismo. Não o será. Porque o socialismo não é um insulto. É
a história viva de um país que escolheu cuidar, incluir e crescer. Não
abdicamos dos nossos valores, do nosso legado nem do futuro que queremos
construir. O vento político pode soprar à direita, mas as pessoas continuam a
acreditar na igualdade de oportunidades, na solidariedade para com os mais
desfavorecidos, na regulação do mercado e na dignidade do trabalho. Essas
continuam a ser as nossas razões, o nosso devir e a mais bonita epopeia de um
povo que não aceita desistir.
Para muitos de nós, será estranho imaginar a vida pública sem Marcelo e a forma expressiva com que traduz a atualidade. Era – e continuará a ser – uma espécie de avô da nação.
O governo parece preso num “pântano”, sem iniciativa política e a reboque dos acontecimentos. Como se tivesse sumido a tensão inicial ou tivessem, simplesmente, esgotado as ideias que tinham. De lá para cá, reduz-se à gestão corrente e nem nisso são bons.
Este é o segundo ano de gestão económica da AD em que a nossa economia desacelera. Dados do Eurostat apontam para que o travão que se sentiu em Portugal nos últimos três meses do ano tenha sido 4 vezes maior do que aquele que se sentiu no resto da Europa.
É injusto dizer que Seguro não se definiu. Foi claro em relação às leis laborais, a uma eventual revisão constitucional e em relação às áreas que considerou prioritárias, como a segurança ou a saúde.
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