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O idealismo deu lugar ao cinismo, logo agora que mais precisávamos dele, quando não nos podemos dar ao luxo de relativizar os nossos princípios. Porquê e para quê? Nesta encruzilhada dramática da nossa vida em comum, temos de enfrentar de forma lúcida as razões que podem informar uma decisão destas.
Ninguém é verdadeiramente neutro numa disputa destas. Quem alimenta equívocos em relação à segunda volta destas eleições presidenciais, não está à margem da mesma. Aceita e normaliza quem a pretende travar como um combate contra o socialismo, quando se trata antes da defesa da democracia, da liberdade e da tolerância.
Ninguém pode dizer que foi apanhado de surpresa. Quando se recusou a excluir um apoio a Ventura, Cotrim afirmou ter perdido a cabeça. Marques Mendes respondeu que “há limites que não se diluem, nem por cálculo eleitoral, nem por conveniência do momento.” Afinal, a palavra de nenhum vale alguma coisa. Em ambos os casos, o “cordão sanitário” era uma ideia necessária apenas enquanto fosse útil para segurar eleitores moderados na primeira volta. Consumada a derrota, a história é outra.
Todos nos recordamos da dignidade de outros tempos e de outras geografias. De um país que, tanto com Costa como Montenegro, premiou quem dizia “não é não”. De França, onde já por diversas vezes, da esquerda à direita, uma “frente republicana” se uniu em torno do candidato mais bem colocado para derrotar Le Pen e os seus apaniguados. Da unidade histórica dos democratas na Polónia, onde já venceram, ou na Hungria de Órban, fã confesso de Ventura que agora Magyar promete derrubar. Infelizmente, tudo isto parece distante das cúpulas liberais e sociais-democratas, aparentemente ressentidas com a desilusão eleitoral.
O idealismo deu lugar ao cinismo, logo agora que mais precisávamos dele, quando não nos podemos dar ao luxo de relativizar os nossos princípios. Porquê e para quê? Nesta encruzilhada dramática da nossa vida em comum, temos de enfrentar de forma lúcida as razões que podem informar uma decisão destas.
A verdade mais pura, que ecoa nos corações, é que a direita ainda não se adaptou a um país que mudou. Arreados do poder durante a maior parte dos últimos 30 anos, os políticos de direita cresceram numa cultura política de combate ao PS, dando por garantida a democracia liberal que tinha, afinal, conquistado o “fim da história”. Ainda em 2023, Montenegro considerava que o maior problema da política portuguesa era o socialismo, não o populismo. É por força de hábito que alguns perfilham da falsa dicotomia de Ventura.
Por detrás deste apego ao passado há mais que nostalgia. Na longa travessia do deserto da direita portuguesa, a moderação de Rio trouxe-lhes formidáveis derrotas, ao par que a extrema-direita se agigantou e lhes ameaça o espaço político. Na boçalidade icónica de Hugo Soares há mais do que personalidade e paixão: há a suspeita de que é preciso ser-se duro e falar alto para captar atenção e recuperar eleitorado.
A intuição é a de que o seu sucesso não está na consolidação do “centro”, que pode estar fugido do PS apenas temporariamente, mas na disputa com a extrema-direita nos seus termos. Para isso, a AD tem-se aproximado desta em matérias como a imigração ou os costumes. Por isso, Montenegro não podia desocupar esse espaço e deixar-se colar aos demais partidos “à sua esquerda”.
Para o fim pretendido, é uma má estratégia. Em primeiro lugar, por renunciar a liderança do seu campo político. Nada é mais importante em política do que a perceção de força. Em segundo lugar, porque os eleitores do CHEGA têm origens (e logo, potenciais regressos) mais próximos da esquerda do que propriamente do PSD. Em terceiro lugar, porque os eleitores que o PSD (e a IL) perder para Ventura nestas presidenciais poderão nunca mais voltar. Por um lado, porque as ideias insidiosas têm essa forma de se infiltrar de forma profunda nas consciências. Mas, sobretudo, porque quem ultrapassa a linha da decência para aceitar votar Ventura uma vez não terá problemas em fazê-lo novamente. Não é assim que Montenegro vai conseguir esvaziar a extrema-direita.
O erro está, porém, em colocar aí o seu fito. Depois da hecatombe do PS, o PSD tinha a oportunidade perfeita para tentar a “Macronização”, projetando-se como último reduto dos “moderados” contra o radicalismo. Seria esvaziar, em vez de combater o PS - uma tática que funciona melhor com quem está entre a espada e a parede, do que com um CHEGA que encontra sempre novos cúmulos da radicalização. Esse argumento está, porém, permanentemente descredibilizado: quaisquer eleitores que se possam mobilizar contra o radicalismo não irão nunca perdoar Montenegro pela indiferença entre Seguro e Ventura.
Se não é pelos valores, se não é pela estratégia política, será por estratégia parlamentar que o partido do Governo quer ficar de fora da segunda volta? Pedro Santos Guerreiro aventa essa hipótese, perspetivando a neutralidade como preço para poder continuar a poder negociar com o Chega no Parlamento. Deve-se dizer que não foi isso que prometeu em eleições. Depois, não precisa de ter o Chega como parceiro quando sabe poder contar com o PS para preservar a estabilidade. Todavia, se Montenegro acha que Ventura vai ficar agradecido com o seu silêncio, veremos o que acontece no cenário provável de que Ventura tenha mais votos do que a AD teve nas Legislativas. Este “appeasement” conhecerá o mesmo destino que todos da história – os líderes aplacados ficam empoderados a exigir mais. Graças ao “nim” do PSD, a vida do Governo no Parlamento será mais difícil daqui para a frente.
A cobardia do líder do executivo não se fica, contudo, pela política interna. Enquanto escolhemos o nosso Chefe de Estado, Trump ameaça invadir a Gronelândia, território do aliado reino da Dinamarca. Tal como já havia sancionado cidadãos europeus por trabalharem no Tribunal Penal Internacional ou por terem legislado regras para as gigantes tecnológicas (americanas), o atual ocupante da Casa Branca quer aplicar tarifas aos países que se prontificaram a colocar militares para defender a soberania .
É uma tentativa de extorsão e coação económica intolerável, sobre a qual não é possível ficar calado nem indiferente. É, claro, a sequência lógica para a impunidade com que pôde intervir na Venezuela. O governo português não condenou a violação do direito internacional, achando-a “benigna”. Muitos relativizaram, pois poucos guardam saudades da ditadura de Maduro. Mas, então, e agora? Mesmo tratando-se de ameaças perante aliados, mesmo quando isso põe em causa a Aliança Atlântica de que fomos fundadores, mesmo quando todos os outros países europeus reagem, o nosso Governo nada diz.
Em Portugal como lá fora, a neutralidade não nos protege de quem nos ameaça. Fortalece-os. Legitima-os. E enfraquece-nos. O nosso país não se pode resumir à tragédia de homens fracos. Somos muito melhores que isso, como aliás já se começou a ver com a torrente de políticos de direita a apoiarem o candidato democrata nesta segunda volta. Esta será uma eleição sobre moderação e compromisso, sobre unir o país ao invés de o dividir pelo ódio. Mas será também, e sempre, uma eleição sobre a clareza dos nossos valores, a esperança na nossa força coletiva e a coragem de fazer o que está certo.
O governo parece preso num “pântano”, sem iniciativa política e a reboque dos acontecimentos. Como se tivesse sumido a tensão inicial ou tivessem, simplesmente, esgotado as ideias que tinham. De lá para cá, reduz-se à gestão corrente e nem nisso são bons.
Este é o segundo ano de gestão económica da AD em que a nossa economia desacelera. Dados do Eurostat apontam para que o travão que se sentiu em Portugal nos últimos três meses do ano tenha sido 4 vezes maior do que aquele que se sentiu no resto da Europa.
É injusto dizer que Seguro não se definiu. Foi claro em relação às leis laborais, a uma eventual revisão constitucional e em relação às áreas que considerou prioritárias, como a segurança ou a saúde.
A destruição estende-se muito para além do que algum órgão de comunicação social conseguiria retratar: estradas secundárias intransitáveis, habitações isoladas, empresas paradas, campos devastados, populações exaustas.
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