A democracia voadora do Senhor Arnaut
João Paulo Batalha
10 de março

A democracia voadora do Senhor Arnaut

Na saga do novo aeroporto de Lisboa, tanto a direita do Estado mínimo como a esquerda do Estado máximo andam às ordens da Vinci.

Há mais de cinquenta anos que nos entretemos com o novo aeroporto de Lisboa. Ainda no tempo de Marcelo Caetano começou-se, sem pressas, o trabalho de estudo e planeamento de uma alternativa à Portela. Caetano achava que a História havia de esperar por ele e à conta disso foi apanhado desprevenido e apeado do cargo a 25 de Abril de 1974. A confusão que se segue sempre aos regimes que caem de podres tirou o novo aeroporto da lista de prioridades. Durante anos, falava-se do assunto de vez em quando, mas sem sentido de necessidade ou urgência.

José Sócrates, um homem que gosta de fazer obra que se contemple, desenterrou o assunto e empurrou o processo para uma decisão – à Sócrates, ou seja, com pouco estudo e debate. As opções eram duas – Ota, a norte de Lisboa, ou Rio Frio, na margem sul. Ambas as opções foram contestadíssimas, a ponto de se ter chamado o Laboratório Nacional de Engenharia Civil a estudar o assunto. A decisão no fim do processo: nem Ota nem Rio Frio; Alcochete.

A decisão técnica parecia razoavelmente consensual, só que entretanto Sócrates tinha esvaziado os cofres (com a exceção do cofre da sua mãe, que ao que consta lhe subsidiava o estilo de boa vida). Veio o tempo da Troika e o fim das aventuras: havia consenso mas não havia dinheiro. Entre os anéis que se venderam nos tempos do Governo de Passos Coelho está a privatização da ANA, empresa gestora dos aeroportos nacionais. O presidente da ANA privatizada por um Governo PSD/CDS foi José Luís Arnaut, ex-ministro de um Governo PSD/CDS. Agora, é ele que manda.

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