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(Enviada semanalmente)
A propósito das tolices que se disseram em torno da visita de Ronaldo a Trump, lembrei-me de uma de muitas letras geniais de Chico Buarque: “Geni e o Zepelim”.
Por estes dias e a propósito das tolices que se disseram em torno da visita de Cristiano Ronaldo a Donald Trump, lembrei-me de uma de muitas letras geniais de Chico Buarque: “Geni e o Zepelim”.
Mal resumida, trata a canção de uma mulher desprezada e usada até que, um dia, um zepelim sobrevoa a cidade, ameaçando o comandante destruir a mesma, excepto se Geni aceitasse pernoitar com este. Ante a recusa, todas as entidades (do prefeito ao bispo, passando pelo banqueiro) se apressam a reverenciar Geni. Claro está que a vassalagem durou até à partida do zepelim, voltando a maledicência.
Admitindo que a analogia possa não ser evidente, vamos por partes: em primeiro lugar, Cristiano Ronaldo é maior de idade, não é titular de qualquer cargo público e, ao que sei, chegou às suas celebridade e fortuna estratosféricas por mérito próprio. Aliás, o seu trajecto desportivo é um exemplo de superação e de trabalho árduo que deveria servir de exemplo a muitos intelectuais de opereta que agora o denigrem.
Depois, salvaguardadas as distâncias das missões, o Capitão da nossa Selecção terá feito mais pela notoriedade de Portugal do que a maioria dos políticos, diplomatas e empresários. Não tem de governar e está num desporto hipermediatizado?! Com certeza! Contudo, os mesmos requisitos são preenchidos por milhares de portugueses que estão a anos-luz de CR7. Quem não sentiu já um assomo de satisfação ao saber que somos conhecidos em qualquer canto do planeta? E em quantos desses momentos a réplica à proveniência não foi “Cristiano Ronaldo!”?
Em terceiro lugar, entremos nos detalhes de um episódio que levou até a que falassem em “traição”, sem curar o autor do mimo de analisar, por exemplo, a sua própria trajectória política. Se Cristiano tivesse dito que gostaria de conhecer Alexander Lukashenko ou Kim Jong-un, poderíamos discutir o critério, designadamente, pela associação de ambos a ditaduras. No entanto, por muito que alguns possam não simpatizar com Trump (sou um deles), CR7 quis conhecer um presidente eleito numa democracia com muitos mais anos do que a nossa e a cujo país devemos muita da paz e da liberdade de que temos gozado na Europa. Outros apertaram a mão a Maduro e a Lula da Silva, sem que clamor ou rasgar de vestes iguais se registassem.
Por fim, quantos dos vocais críticos de Cristiano conseguiram estar na Sala Oval ou posar com Elon Musk a título particular? Antes que me acusem de parolice, menciono-o não pelo lado Instagram da coisa, mas sim pela capacidade de abrir portas que tem um dos mais ilustres portugueses.
Enquanto Ronaldo foi, por exemplo, “rei” em Madrid ou nos levou às costas no campeonato europeu vencido, “prefeito, bispo e banqueiro” vinham beijar a mão e quem se demarcava, fazia-o com aquela prosápia de quem quer parecer intelectual. Agora que o ocaso desportivo se avizinha e zepelim se vai, voltam as “pedras” e os insultos.
Ademais de achar que a lenda ainda não terminou, dedico a conclusão às mentes pequenas do costume: Ronaldo conheceu Trump e eu, sabendo que é “missão impossível”, adoraria conhecer Ronaldo! Venham de lá esses insultos!...
José Pedro Aguiar Branco tocou num tema central: sem outras condições para o exercício dos cargos políticos será ainda mais difícil do que já é atrair pessoas de créditos firmados para a actividade política.
Pacheco Pereira teve, por breves instantes, argumentação factual, mas sobretudo conseguiu fazer prova de vida, mantendo a aura intacta para as tertúlias e conferências. Já Ventura voltou a incendiar os ânimos das suas hostes nesse combate contra tudo o que não seja slogan do Chega.
Nos duelos privados, ignorar é a melhor resposta para os anónimos intelectualmente subdesenvolvidos que buscam crescer à custa das pessoas “a sério”. Já no plano partidário, o desafio deve ser travado e com as regras democráticas, porque são elas mesmas que estão em causa.
Aqui chegados, noto algo que submeto agora ao crivo do Leitor: a mais das guerras e dos seus efeitos directos e indirectos e de proclamações do clube dos populistas vivos, as outras causas que cativam a atenção dos media e de quem publica nas redes sociais raramente são as moderadas.
Teresa Morais logrou algo de ganho imediato: fazer cair a nova máscara de André Ventura. Desde as eleições presidenciais que o “grande líder da direita” tentava criar uma nova persona ou mudar de maquilhagem para conservar o eleitorado moderado que granjeou na segunda volta das eleições presidenciais.
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