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Numa altura em que se avolumam evidências dos riscos que trazem os populismos de direita, dou por mim a constatar que se cumpre este ano o centenário do golpe de 28 de Maio de 1926, que viria a pôr fim à I República e a abrir caminho ao que seria o Estado Novo.
Não acredito em profecias, cabalas
ou alinhamentos cósmicos, mas há coincidências do diabo… Numa altura em que se
avolumam evidências dos riscos que trazem os populismos de direita, dou por mim
a constatar que se cumpre este ano o centenário do golpe de 28 de Maio de 1926,
que viria a pôr fim à I República e a abrir caminho ao que seria o Estado Novo.
Cem anos que parecem deixar-nos sem anos de esperança.
Obviamente, de véspera só morre o
peru e temos de perseverar na defesa das mais elementares liberdades, até ao
fim. Contudo, o cenário não se apresenta animador.
Comunicação social independente
excluída de eventos ou encerrada, que mais não seja, pela asfixia económica ou pela
cessação de licenças; catadupas de informação
falsa difundida negligente ou dolosamente (a era da pós-verdade); divisão da
sociedade por raça, etnia, credo ou orientação sexual e consequentes
discriminações; tiradas e promessas panfletárias sem possibilidade
constitucional e/ou económica de concretização, estribadas no desespero de
muitos; exploração propagandística do sofrimento, da inveja e do rancor… Todos
estes sinais de enfermidade podem ser encontrados em vários regimes formalmente
(e ainda) democráticos (estes males matam rapidamente, note-se).
EUA, Hungria, Polónia, Alemanha,
França, Áustria, Países Baixos e outros países de inquestionáveis credenciais
democráticas exibem, já exibiram ou têm seríssimos riscos de vir a exibir
alguns destes traços preocupantes.
Se a tudo isto juntarmos traços
distópicos no ambiente e na saúde (oxalá “Nipah” não seja uma palavra que entre
rapidamente no léxico mundial), perguntamo-nos todos (digo eu) sobre que
herança vamos deixar aos nossos filhos e netos. Receio que a recordação dos
nossos tempos na História a fazer não seja lisonjeira…
E, depois, estamos nós plantados
aqui no “rectângulo”, pensando que, apesar de já não vivermos ao som da balada
pachorrenta de outrora, ainda somos de brandos costumes e que isto não chega
(curiosa palavra neste contexto) a tanto por cá.
No entanto, podemos sempre pensar
que à volta de um quinto dos votantes começa já a sufragar ideias como:
julgamento sumário de grupos étnicos por indicação de um político; deturpação
de factos, por exemplo, sobre o progresso que inequivocamente tivemos em 50
anos de democracia; lançamento de anátemas sobre os demais políticos que são
identificados como “sistema” (sem que isso esteja sequer definido); fim da
urbanidade e do respeito pelas opiniões contrárias; demonização acrítica de
crenças não cristãs; difusão de informação reconhecidamente (até pelos
difusores) falsa e por aí fora…
A segunda volta das nossas eleições
presidenciais deverá colocar em “mute” este requiem pelos brandos costumes, mas
será preciso diálogo entre São Bento e Belém para que a coisa não ganhe
contornos de marcha triunfal. Estamos a passar os cem anos de algo de má
memória com a sensação de que estamos sem anos, meses ou sequer dias para
evitar algo tão ou mais nefasto.
A 8 de Fevereiro a escolha é sua:
moderação e razão ou exaltação e emoção. É preciso dizer mais?!...
Numa altura em que se avolumam evidências dos riscos que trazem os populismos de direita, dou por mim a constatar que se cumpre este ano o centenário do golpe de 28 de Maio de 1926, que viria a pôr fim à I República e a abrir caminho ao que seria o Estado Novo.
Ao retirar Nicolás Maduro da presidência venezuelana, Donald Trump não se limitou aplicar uma solução limite a uma eleição que os Estados Unidos, à semelhança da União Europeia, não haviam reconhecido.
O Almirante Gouveia e Melo adoptando um estilo quezilento e anti-político deixou pelo menos uma coisa bem clara: não tem jeitinho algum para a função a que se candidata. Afogar-se-á no aquário das presidenciais.
O País, o Governo, os sindicatos e os assuntos em apreço continuam pendentes como, presumo, os parcos argumentos do manifestante que achou que a nudez era mensagem política.
A propósito das tolices que se disseram em torno da visita de Ronaldo a Trump, lembrei-me de uma de muitas letras geniais de Chico Buarque: “Geni e o Zepelim”.
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