Sim, Trump é um palhaço e um palhaço egoísta, megalómano e irresponsável, mas, acima de tudo isso, é um palhaço assassino.
Desculpem a nítida agressividade do
texto de hoje, mas as coisas em Portugal e no Mundo estão a tornar-se
absolutamente insuportáveis.
E muito preocupantes.
Como já referi várias vezes, temo
pelo futuro dos meus netos, muito em especial das minhas duas netas, dada a
contra-revolução cultural que, há já mais de uma década, está em curso por todo
o lado e cujas primeiras vítimas, em pleno pé de igualdade, são as mulheres e
os trabalhadores, sejam os que trabalham por conta de outrem, sejam aqueles
que, aparentemente (e só aparentemente) trabalham por conta própria.
O caso dos motoristas de TVDE é um
exemplo notório (mas não único) de como é ilusória a “independência” desses
trabalhadores.
Contudo, aquilo que já não consigo
suportar é o pseudo silêncio da direcção do PSD de Luís Montenegro acerca da
confirmação do acordo estratégico e já não pontual, com o Chega que foi anunciado
por André Ventura, silêncio esse que soa a confirmação, mas sobretudo, pelas
suas profundas e nefastas consequências para todos os povos do Mundo, as
múltiplas aparições de Donald Trump nos órgãos de comunicação social, em
especial nas televisões.
Só a postura dele, divertidíssimo e
totalmente despreocupado com as consequências das suas palavras e dos seus
actos, me dá nojo.
Sim, Trump é um palhaço e um
palhaço egoísta, megalómano e irresponsável, mas, acima de tudo isso, é um
palhaço assassino.
Sem dúvida que não é o único
(pensemos no genocida Netanyahu e nos seus comparsas, igualmente genocidas, nos
dirigentes do Irão e em Putin, para citar só alguns), mas é o mais poderoso
deles todos, logo o mais perigoso.
E, para além disso, ninguém me tira
da ideia de que, sendo certo que há gente (não muita, mas alguma) que está a
ganhar fortunas com as actuais constantes e rápidas flutuações que acontecem
nos vários mercados (que não apenas os dos combustíveis), Trump é uma dessas
pessoas.
Reparem que essas flutuações nos
mercados decorrem sobremaneira das declarações de Trump e só depois das
respostas dos dirigentes do Irão.
Não é uma certeza, porque não tenho
meios para a provar, mas é uma suspeita muito forte.
Trump já mostrou que é capaz de
tudo, até de promover um golpe de Estado no seu próprio país e de estar a
tentar impedir - ou pelo menos manipular – as eleições federais chamadas
intercalares que estão marcadas nos EUA para o próximo dia 3 de novembro.
Ou de ir raptar o presidente da
República de um país soberano (por mais execrável que essa pessoa – Nicolás
Maduro – possa ser e de facto é) ou de estar a estrangular a economia de Cuba,
condenando a população dessa ilha à fome e à miséria.
E estes são apenas alguns exemplos
da torpeza desse repulsivo (e até obsceno) ditador.
E, enquanto isso, a economia
mundial vai-se afundando e talvez fosse bom que alguém se começasse a preocupar
com a possibilidade já não apenas de estar a aumentar, de uma forma exponencial
e cada vez mais rápida, o número de pessoas que vive abaixo do limiar da
pobreza, mas também de poder vir a acontecer em breve uma crise alimentar.
Crise alimentar que irá afectar não
apenas os países e povos “do costume”, mas também os mais ricos.
Já olharam bem para o que está a
acontecer com os fertilizantes artificiais que são o motor das agriculturas
nacionais? Por favor, vão pensando nisso enquanto ainda há tempo.
Mas não é isso que ocupa os
pensamentos medíocres dos cobardes, subservientes (a Trump e aos interesses
egoístas dos EUA) e hipócritas dirigentes europeus, quer em termos da UE, quer
a nível dos seus Estados Membros.
E é por isso que só posso sentir um
profundo desprezo por toda essa gente.
Tal como sinto por Luís Montenegro
e pelos demais membros da direcção do seu PSD.
Voltando ao princípio deste texto,
estou profundamente convicto que a bravata do racista, xenófobo e fascista
André Ventura não é mais uma das suas mentiras, e este silêncio de Luís
Montenegro e dos demais membros da direcção do seu PSD tem como única finalidade
levar os portugueses e as portuguesas a considerar que concretizar um acordo
estratégico de governação e partilha do poder com o Chega é uma coisa natural e
perfeitamente aceitável.
Ou, pelo menos, a conformarem-se
com essa situação, oque lhes permitirá avançar para a concretização de uma
revisão constitucional anti-constitucional, isto é, que irá violar os limites
materiais fixados no texto actual dessa Lei Maior.
Vamos ver o que irá fazer, nesse
caso, o Presidente da República António José Seguro, o qual, aliás, tem já pela
frente uma encruzilhada assaz importante e relevante para a definição da
estrutura funcional não apenas do Estado, mas de todo o tecido comunitário.
Refiro-me à Lei parlamentar (e para
lamentar) que revogou a muito equilibrada legislação aprovada em 2018 (Lei
n.º 38/2018, 07 de agosto, para quem a quiser ir ler) acerca do
direito à autodeterminação em questões da identidade de género.
Será que António José Seguro vai
ratificar essa Lei parlamentar? Ou será que a vai vetar? Ou será que a envia ao
Tribunal Constitucional para apreciação prévia da sua constitucionalidade?
Uma coisa é certa: o grau de
tolerância para com o incumprimento das promessas eleitorais é cada vez menor.
O que, em boa verdade, é algo de
bom.
Só é pena que sejam desalmados
sem-vergonha, que de pessoas de bem nada têm, que estão a beneficiar desse
descontentamento popular.
Eu sei que todos os seres humanos
nascem selvagens, egoístas, e tendencialmente irracionais.
Mas creio que já basta de tanta
irracionalidade.
O Chega é um partido racista,
xenófobo e fascista e já mostrou que não tem alternativas que permitam uma
governação estável, muito menos uma boa governação, do país.
É certo que é gritante a falta de
alternativas, mas esta aliança estratégica do PSD (o CDS, fora das Regiões
Autónomas, não existe), mas este caminho irá necessariamente conduzir ao
desastre.
Resistir é preciso. Porque viver (e
não apenas navegar) também é preciso.
Por nós, pelos nossos filhos e
pelas nossas filhas e pelos filhas e filhos dos nossos filhos e das nossas
filhas.
O que aconteceu nos EUA com as nomeações de juízes para o Supremo Tribunal Federal feitas por Trump e “carimbadas” pela sua maioria MAGA no Senado, deveria ser um sinal de alerta mais do que suficiente para os perigos que decorrem de um acordo com um partido xenófobo, racista e fascista como é o Chega.
Seria de esperar que a esmagadora votação no actual Presidente da República tivesse levado Luís Montenegro a perceber que a sua aliança tácita com o Chega era um caminho repudiado por uma enorme maioria dos portugueses e portuguesas que votaram nessa eleição.
Talvez seja uma vã ilusão, mas tenho a secreta esperança de que a “próxima vítima” nas Américas, ou seja, Cuba, não se irá comportar de forma tão vergonhosa.
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