EUA e Israel atacaram a maior refinaria de gás do mundo e preços do petróleo voltaram a disparar
Trump diz que desconhecia por completo esta operação de Israel, contudo, não é isso que revelam algumas fontes. Segundo autoridades americanas, o presidente "aprovou o ataque para pressionar o Irão a desbloquear o Estreito de Ormuz".
Estados Unidos e Israel atacaram na quarta-feira instalações de gás no Irão que, por sinal, são os maiores do mundo. O episódio levou o Irão a retaliar e a atacar as instalações na Arábia Saudita e no Qatar, fazendo com que os preços do petróleo disparassem novamente para os 113 dólares e soassem alarmes.
Segundo noticiaram nas últimas horas vários meios de comunicação social americanos e israelitas, ao citar fontes das forças armadas e das administrações, o governo de Benjamin Netanyahu consultou Donald Trump para levar a cabo este ataque e obteve a aprovação prévia. Segundo as mesmas fontes, era impossível isso não ter ocorrido. Contudo, após o sucedido, o presidente americano distanciou-se completamente desta versão e declarou que os EUA desconheciam por completo esta operação.
"Israel, movido pela raiva pelo que aconteceu no Médio Oriente, atacou violentamente uma importante instalação conhecida como a instalação de gás de South Pars, no Irão. Uma secção relativamente pequena do complexo foi atingida. Os Estados Unidos não tinham conhecimento algum desse ataque específico, e o Qatar não esteve envolvido de forma alguma, nem sequer imaginava que iria acontecer", começou por escrever o presidente na noite de quarta-feira nas suas redes sociais. "Lamentavelmente, o Irão desconhecia esse facto, assim como qualquer outra informação pertinente relacionada ao ataque a South Pars, e atacou injustificadamente e injustamente uma parte das instalações de gás natural liquefeito (GNL) do Qatar."
Trump prometeu que Israel não voltaria a atacar as instalações de gás de South Pars, mas deixou ameaças a Teerão: prometeu destruir totalmente as instalações de energia caso o país continuasse a atacar os aliados, nomeadamente o Qatar. "Israel não realizará mais nenhum ataque direcionado à instalação de South Pars, de importância e valor inestimáveis, a menos que o Irão cometa o ato imprudente de atacar um ator completamente inocente — neste caso, o Qatar — situação em que os Estados Unidos da América, com ou sem a assistência ou consentimento de Israel, procederiam à destruição massiva de todo a instalação gás de South Pars, mobilizando uma força e um poder que o Irão jamais viu ou testemunhou. Não desejo autorizar esse nível de violência e destruição devido às repercussões a longo prazo que teria para o futuro do Irão, contudo, se as instalações de GNL do Qatar forem atacadas novamente, não hesitarei em fazê-lo", adiantou ainda na sua mensagem.
Segundo o jornal The Wall Street Journal, que cita autoridades americanas, Trump "aprovou o ataque para pressionar o Irão a desbloquear o Estreito de Ormuz". As mesmas fontes avançaram ainda que o presidente acredita que Teerão entendeu a mensagem e que se vai abster de novos ataques à infraestrutura energética. No entanto, alertaram também que se o Irão continuar a obstruir a livre passagem dos petroleiros por essa via que o presidente norte-americano poderá voltar a apoiar os ataques.
Pelo menos 12 países, incluindo a Arábia Saudita, a Turquia, o Paquistão, o Qatar e o Egito, entretanto já exigiram que o Irão "cesse imediatamente" os ataques com drones e mísseis contras as infraestruturas petrolíferas e "respeite o direito internacional como o primeiro passo para o fim da escalada".
Esta quinta-feira o Washington Post avançou ainda que nos últimos 10 dias foram avistados pelo menos uma vez drones a sobreviar a base miliatr dos EUA onde moram os secretários de Estado da Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Pentágono, Marco Rubio.
A polémica desta operação entretanto já está a estalar dentro da própria administração Trump. Há quem acredite que a "Fúria Épica" tenha sido um erro, como foi o caso, por exemplo, do diretor do Centro Nacional de Contraterrosrismo que, na terça-feira, renunciou ao cargo por acreditar que esta guerra era desnecessária já que o regime dos aiatolas não representa "uma ameaça iminente". O governo acusou-o, contudo, de ser um "filtrador" e a situação levou o FBI a abrir uma investigação contra Joe Kent.
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