Tudo sobre o “grave” caso de Benjamin Netanyahu

Tudo sobre o “grave” caso de Benjamin Netanyahu
André Rito 05 de abril

Charutos, boa imprensa e presentes. O Ministério Público apresentou esta segunda-feira a acusação contra o primeiro-ministro israelita. Suspeito dos crimes de suborno, fraude e abuso de confiança, Netanyahu terá usado o poder “de forma ilegítima” para “favorecer assuntos pessoais”.

Esta é a tese da procuradora, Liat Ben-Ari, que considera este um "caso grave de corrupção no Governo". Ao todo, o atual primeiro-ministro de Israel é suspeito em três casos. Reuven Rivlin, o presidente, iniciará brevemente as negociações sobre quem deve liderar o próximo governo após uma quarta eleição inconclusiva em 23 de março. Entre a Justiça e a Política, o que pode acontecer com o histórico líder israelita?
 
 
Netayahyu mantém-se no cargo?
Com 71 anos - há 15 no poder - o primeiro-ministro não tem a obrigação de renunciar ao cargo, antes de ser condenado. Uma exceção já que nenhum dos ministro do Governo goza deste benefício. Na sessão desta segunda-feira, Netanyahu declarou-se inocente, afirmando que está a ser vítima de uma "caça às bruxas" orquestrada pela esquerda e pelos meios de comunicação social "Receber presentes de amigos não é contra a lei", disse Netanyahu.
 
Quem pode seguir-lhe no cargo?
Segundo a Agência Reuters, o presidente, Reuven Rivlin, já iniciou as negociações para decidir quem deve liderar o próximo governo, após uma quarta eleição inconclusiva, em 23 de março, em que o Likud, o partido do chefe do governo, conquistou o primeiro lugar mas a precisar de formar uma coligação para governar.
            
E se for condenado?
Hoje foram ouvidas as primeiras testemunhas. Se o tribunal der como provadas as acusações, Netanyahu enfrenta uma pena de prisão que pode chegar até aos 10 anos e/ou uma multa. Quanto aos crimes de fraude e quebra de confiança são puníveis com penas de prisão até três anos.
 
Quais são casos suspeitos?
O mais conhecido é o CASE 4000: neste caso, o Ministério Público alega que Netanyahu concedeu favores no valor de cerca de €423 Milhões à Bezeq Telecom Israel. Em troca, refere a acusação, Netanyahu teria uma cobertura noticiosa positiva, assim como para a esposa, num site de notícias controlado pelo ex-presidente da empresa, Shaul Elovitch.
 
CASE 1000, assim se designa o caso em que Netanyahu é acusado de fraude e quebra de confiança. O Ministério Público açega que o primeiro-ministro e a esposa receberam indevidamente quase €177 Milhões em presentes de Arnon Milchan, um produtor de Hollywood e cidadão israelense, e do empresário australiano James Packer. Os presentes incluíam champanhe e charutos.
 
CASE 2000: Neste caso, Netanyahu terá alegadamente negociado um acordo com Arnon Mozes, dono do jornal israelita, Yedioth Ahronoth, para uma melhor cobertura do seu nome em troca de uma alteração legislativa prejudicava o crescimento de um jornal concorrente. Netanyahu foi acusado de fraude e quebra de confiança. Mozes foi acusado de oferecer suborno mas nega qualquer irregularidade.
 
Para quando a setença?
Ninguém sabe. O julgamento pode levar anos, mas o processo pode ser interrompido se Netanyahu chegar a um acordo judicial.

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