Beattie, assessor sénior para a política dos EUA em relação ao Brasil, tinha anteriormente acusado o juiz Moraes de perseguir Bolsonaro e os seus apoiantes.
O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil anulou a autorização concedida a um assessor do Presidente dos EUA para visitar o antigo líder brasileiro Jair Bolsonaro, após o Governo alertar contra uma possível interferência estrangeira.
Ex-presidente do Brasil encontra-se presoAP
O juiz do STF Alexandre de Moraes revogou na quinta-feira a autorização que ele próprio tinha concedido, dois dias antes, para que o ativista conservador Darren Beattie visitasse Bolsonaro na prisão em 18 de março.
Beattie, atualmente assessor sénior para a política dos EUA em relação ao Brasil no Departamento de Estado norte-americano, tinha anteriormente acusado Moraes de perseguir Bolsonaro e os seus apoiantes e defendeu a imposição de sanções ao juiz.
Também na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil sublinhou que os EUA apenas disseram que Beattie viajaria “para uma conferência sobre minerais críticos e para reuniões oficiais com representantes do Governo brasileiro”.
Além disso, o chefe da diplomacia do Brasil, Mauro Vieira, disse que “a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
Durante a visita ao Brasil, o conselheiro de Trump deverá ainda reunir-se com o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-líder e principal candidato de direita nas presidenciais de outubro, segundo a imprensa local.
O juiz Alexandre de Moraes, relator do processo que levou Jair Bolsonaro à condenação a mais de 27 anos de prisão pelo envolvimento numa tentativa de golpe de Estado, concordou com os argumentos do Governo do Brasil e voltou atrás na decisão.
Bolsonaro começou em 25 de novembro a cumprir uma pena de prisão efetiva de 27 anos e três meses, em consequência da condenação em 11 de setembro de 2025 pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e vandalismo (deterioração de património tombado).
O ex-presidente nunca reconheceu a derrota eleitoral nas presidenciais de outubro de 2022, lançou suspeitas infundadas sobre o uso das urnas eletrónicas, incentivou manifestações de caráter antidemocrático junto a bases militares e, segundo a Justiça, projetou planos para permanecer no poder e até matar adversários políticos e judiciários, entre os quais o próprio Lula da Silva e o juiz Alexandre de Moares.
Os acontecimentos culminaram nos ataques em Brasília, em 08 de janeiro de 2023.
Milhares de apoiantes do ex-presidente invadiram e vandalizaram as sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto, em Brasília, numa tentativa de golpe de Estado para depor Lula da Silva da Presidência.
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