Síria: Macron diz que trégua deve incluir Afrine

Lusa 26 de fevereiro de 2018
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Presidente francês alerta que a trégua humanitária decretada para a Síria se aplica ao “conjunto do território” do país e “deve ser aplicada por todos sem demora”.

Presidente francês, Emmanuel Macron, advertiu esta segunda-feira o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, que as tréguas na Síria devem incluir Afrine, região do norte do país onde a Turquia realiza uma ofensiva contra os curdos.

Reuters
Numa conversa por telefone com o Presidente turco, Macron "sublinhou que a trégua humanitária se aplica ao conjunto do território sírio, incluindo em Afrine, e deve ser aplicada em todo o país e por todos sem demora", indicou a presidência francesa num comunicado.

Macron exprimiu ainda "profunda preocupação" face "à continuação dos ataques do regime (sírio) contra civis e hospitais na Ghouta oriental".

Durante a conversa com Erdogan, o presidente francês sublinhou "o imperativo absoluto de que a cessação das hostilidades (...) seja imediatamente e plenamente respeitada", de acordo com a resolução da ONU.

O Conselho de Segurança aprovou no sábado por unanimidade uma resolução pedindo um cessar-fogo humanitário de um mês em toda a Síria.

Mais de 500 civis, entre os quais uma centena de crianças, morreram em sete dias de bombardeamentos do regime sírio ao feudo rebelde de Ghouta oriental, não muito longe de Damasco.

A Turquia sublinhou no domingo que a trégua não dizia respeito às suas operações militares contra grupos que qualifica de terroristas. Sem mencionar diretamente a resolução da ONU, o presidente turco afirmou que não haveria trégua na ofensiva realizada no enclave de Afrine.

CESSAR-FOGO SÓ COM TODOS DE ACORDO PARA TODAS AS REGIÕES
Antes a Rússia disse esta manhã que o cessar-fogo na Síria, exigido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas só vai acontecer quando todos os beligerantes concordarem nas formas de o aplicar em todas as regiões em guerra no país.

"O cessar-fogo começará quando todos os beligerantes do conflito estiverem de acordo sobre como ele deve ser implementado para garantir que a cessação das hostilidades é total e se aplica a toda a Síria", disse o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, em conferência de imprensa.

"Aqui dificilmente há espaço para interpretações, nem pode haver interpretações sobre a quem se estende a trégua proposta", frisou.

Lavrov, afirmou ainda que a resolução da ONU, que pede uma trégua de trinta dias na Síria, não afeta as ações do Governo de Damasco, apoiadas pela Rússia, contra os terroristas que actuam no país.

Entre os grupos terroristas, o ministro russo mencionou o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), a Frente al Nusra e "todos os que com eles colaboram".

"O cessar-fogo não afecta de nenhuma maneira as acções levadas a cabo pelo governo sírio, com o apoio da Rússia, contra todos os grupos terroristas", em conferência de imprensa Lavrov, que esta segunda-feira teve uma conversa por telefone com o seu homólogo português, Augusto Santos Silva.

Acusou os Estados Unidos de levarem a cabo um plano para "destruir a Síria" e de criar "quase-estados" no seu território, para o qual continuará a sua campanha mediática para denegrir as forças governamentais sírias.

Lavrov mencionou o Observatório Sírio de Direitos Humanos entre as fontes a partir das quais a informação que faz parte da estratégia dos Estados Unidos irá fluir.

"Jamais apoiaremos acções que permitam aos terroristas fugir às suas sanções", enfatizou Lavrov, acrescentando que já se observam intenções de aproveitar a resolução do Conselho de Segurança da ONU para outros fins.

Organizações médicas e de defesa dos Direitos Humanos dão conta de que os ataques na Síria, nomeadamente em Ghouta Oriental, continuam, ou seja, o cessar fogo aprovado sábado não entrou efectivamente em vigor.

Desde o início dos ataques de Damasco contra Ghouta Oriental, a 18 de Fevereiro, morreram pelo menos 521 civis, segundo os números divulgados pelo observatório sírio dos direitos humanos.
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